Pacientes de baixa prioridade aguardam 10 horas para serem observados na urgência do Hospital Amadora-Sintra

13 de Dezembro 2025

O tempo de espera para os primeiros cuidados médicos na unidade de Sintra atingiu valores críticos esta manhã, com os doentes não urgentes a enfrentarem uma demédia de uma dezena de horas.

A realidade foi captada pelo portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) pouco depois das nove da manhã deste sábado. Conforme os dados apurados, a urgência geral do Hospital Amadora-Sintra tinha, nesse momento, 33 pessoas à espera de ser atendidas. O tempo médio geral para a primeira observação clínica rondava as impressionantes 10 horas. Uma análise mais fina revela que 22 utentes, já triados com a pulseira amarela que sinaliza casos urgentes, tinham uma espera prevista superior a seis horas e vinte minutos. Os dois casos classificados como muito urgentes – a pulseira laranja – aguardavam há cerca de duas horas, muito além dos 10 minutos recomendados pelo protocolo de triagem.

O cenário contrasta, de forma gritante, com o registado noutras unidades da área metropolitana de Lisboa. No Hospital Garcia de Orta, em Almada, o tempo para a primeira observação era de pouco mais de sessenta minutos. Já no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a média geral situava-se nas três horas, mas com uma ressalva que espelha as assimetrias no acesso: os pacientes com pulseira verde, os chamados pouco urgentes, podiam contar com uma demora à volta de oito horas antes de verem um médico.

Os dados disponibilizados publicamente pelo SNS permitem este tipo de aferição, ainda que com as limitações inerentes a um retrato instantâneo. O sistema explica que o tempo médio é calculado com base no período decorrido desde que o utente entrou na fase em que se encontra, seja ela a espera para triagem, para observação ou já durante a própria observação. As normas de triagem estabelecem, contudo, metas bastante diferentes: atendimento em 10 minutos para os muito urgentes (laranja), 60 minutos para os urgentes (amarelo) e 120 minutos para os pouco urgentes (verde). O fosso entre o normativo e a prática, amplamente visível nos números de hoje, coloca em evidência a pressão extrema sobre alguns serviços de urgência.

Palavras-chave: urgência hospitalar, tempos de espera, Amadora-Sintra, triagem, SNS, pulseira amarela, acesso a cuidados de saúde.

NR/HN/Lusa

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