Três detidos por desvio de antimaláricos para quase 840 mil tratamentos em Moçambique

15 de Dezembro 2025

A autoridade reguladora de medicamentos de Moçambique anunciou a detenção de três pessoas suspeitas de envolvimento no desvio de antimaláricos no armazém central da Machava, em Maputo, equivalentes a mais de 830 mil tratamentos.

“As quantidades de medicamento desviado são equivalentes a 837.990 tratamentos, avaliados em 42.150.897 meticais [562 mil euros]”, indica uma nota da Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (Anarme), consultada hoje pela Lusa.

A Anarme, em coordenação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique, detetou o desaparecimento, na quarta-feira, de cinco paletes do medicamento, “relacionadas à formulação 4×6 de antimaláricos [artemeter+lumefantrina], durante o processo de distribuição dos fármacos a nível nacional”, lê-se na nota.

Segundo a Anarme, foram detidas três pessoas por suspeita de envolvimento no desvio dos antimaláricos no armazém central de medicamentos da Machava, estando ainda em curso diligências para apurar “todos os factos e determinar o grau de envolvimento de cada funcionário”.

“A Anarme apela a sociedade para a denúncia de qualquer suspeita de desvio de medicamentos, para o rápido esclarecimento deste e outros casos, em prol de proteção e promoção da saúde pública”, conclui a autoridade.

Na quarta-feira, o antigo ministro da Saúde moçambicano Ivo Garrido criticou a tendência de estagnação dos índices de prevalência e incidência de malária em Moçambique, apontando para falhas na prevenção da doença.

“Estamos a falhar sobretudo na prevenção. Foram (…) apresentados aqui certos mapas com a evolução da prevalência e da incidência da malária ao longo de décadas e o que nós verificamos é que, às vezes, baixa um bocadinho, mas a tendência é praticamente para a estagnação”, disse Ivo Garrido, durante o Fórum Anual de Malária em Nampula, também no norte de Moçambique.

Segundo o antigo ministro da Saúde (2005-2010), a incidência e prevalência da malária “praticamente não mexem” em Moçambique desde a proclamação da independência, em 1975, apesar dos esforços do país para travar a doença.

O Ministério da Saúde moçambicano disse, na última semana, que o país registou cerca de 10,3 milhões de casos de malária, entre janeiro e setembro, contra nove milhões no mesmo período do ano passado, um aumento em 14% de novos casos da doença.

Em 2024, pelo menos 358 pessoas morreram vítimas da doença neste país africano, que registou mais de 11,5 milhões de casos e cerca de 67 mil internamentos, avançou, em 25 de abril, o Presidente moçambicano, no âmbito do Dia Mundial da Malária, pedindo maior proteção para as crianças.

A vacina contra a malária R21/Matrix-M, a segunda para crianças, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, já está em utilização em Moçambique, seguindo os conselhos do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE) e do Grupo Consultivo de Políticas sobre Malária (MPAG).

lusa/HN

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