Primeiro transplante renal totalmente robótico em Portugal realizado no Hospital Curry Cabral

16 de Dezembro 2025

O Hospital Curry Cabral, em Lisboa, realizou o primeiro transplante renal realizado integralmente por cirurgia robótica em Portugal, com o pai a doar o rim à filha, estando ambos a recuperar bem, anunciou a ULS São José.

Para esta intervenção, realizada no dia 13 de novembro no Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação da ULS São José, o pai, de 63 anos, doou o rim esquerdo à filha, de 38 anos, diagnosticada com nefropatia em 2024 e em tratamento por diálise peritoneal desde então.

“O órgão foi implantado na fossa ilíaca direita”, refere em comunicado a ULS São José, adiantando que a nefrectomia do dador (retirada do órgão) através da cirurgia robótica já vinha a ser praticada há mais de um ano na instituição, “mas esta foi a primeira vez em que o implante renal também foi executado por via robótica”.

Segundo a instituição, esta abordagem permite uma recuperação mais rápida do doente, menos tempo de internamento e menor incidência de complicações.

“A ampliação e a destreza de movimentos da plataforma robótica Da Vinci permite realizar todas as anastomoses (suturas de vasos e ureteres) de forma rápida e com uma qualidade que é quase impossível de igualar no procedimento convencional. Isto reflete-se em mais segurança para o doente e rins com melhor função e longevidade”, explica João Santos Coelho, cirurgião que operou o robô, citado no comunicado.

O diretor do Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de transplantação, Hugo Pinto Marques, acrescenta que “o transplante robótico de dador vivo por abordagem completamente robótica é mais um exemplo das vantagens que a cirurgia robótica oferece, com maior precisão cirúrgica, menor agressão para o organismo e mais rápida recuperação”.

“Esta intervenção posiciona, mais uma vez, o nosso serviço e a nossa instituição na vanguarda da cirurgia robótica no nosso país”, salienta Hugo Pinto Marques.

A ULS salienta que as vantagens para o dador da nefrectomia robótica incluem uma recuperação mais rápida, menos dor, cicatriz quase impercetível e máxima segurança.

A presidente da ULS São José, Rosa Valente de Matos, também citada no comunicado, afirma que, “com este transplante pioneiro a nível nacional”, a instituição “está, uma vez mais, a inovar no cuidar”.

“Esta é a nossa marca e acreditamos que é o melhor caminho para aumentarmos a qualidade dos cuidados que prestamos e para atrair e preservar talento na nossa instituição”, defende Rosa Valente de Matos.

Participaram nas duas cirurgias João Santos Coelho, cirurgião que comandou o robô, Sofia Carrelha, Sofia Corado e Ana Pena (cirurgiões), José Guerreiro e Paula Rocha (anestesistas), Cristina Rivera, Teresa Fonseca e Helena Figueiredo (enfermeiras).

Esteve também presente, como supervisor, Philippe Abreu, da Universidade de Colorado.

lusa/HN

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