Coimbra regista descida nas urgências mas mantém pressão nos internamentos

17 de Dezembro 2025

A Unidade Local de Saúde de Coimbra registou 4729 episódios nas urgências entre 8 e 14 de dezembro, menos 435 que na semana anterior, com média diária de 676 atendimentos

O volume global de episódios nos serviços de urgência da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra diminuiu na semana de 8 a 14 de dezembro, fixando-se em 4729 entradas, uma média redonda de 676 por dia. A queda face aos 5164 da semana anterior não impediu, contudo, que a pressão sobre os internamentos se mantivesse relevante — 551 doentes precisaram de hospitalização após passagem pelo Serviço de Urgência.

Os Hospitais da Universidade de Coimbra concentraram 2650 episódios, seguindo-se o Hospital Pediátrico com 1298, o Serviço de Urgência Básica de Arganil com 381 e as Maternidades com 400. Do ponto de vista clínico e epidemiológico, a influenza A, incluindo os subtipos H1N1 e H3N2, continuou a predominar, com transmissibilidade acrescida e procura assistencial sustentada, sobretudo na faixa pediátrica.

Paralelamente, os cuidados de saúde primários diagnosticaram 1746 consultas por infeção respiratória, um número que ultrapassa as 1643 da semana anterior e se aproxima do limiar de 1750 que desencadeia o Nível 2 do Plano de Contingência. Entre os diagnósticos contam-se 1059 infeções agudas das vias respiratórias superiores, 408 casos de gripe, 97 amigdalites, 112 pneumonias e 107 bronquiolites. A distribuição por idades revela que 712 utentes tinham menos de 18 anos, 380 situavam-se entre os 19 e os 44, 388 entre os 45 e os 64 e 192 com 65 ou mais anos.

No capítulo dos tempos de resposta, o período médio até à primeira observação médica nas urgências reduziu para 49 minutos, uma melhoria de oito minutos relativamente à semana anterior. A ULS atribui este ganho aos ajustes organizativos decorrentes da ativação do Nível 1 de contingência, tanto nas urgências como nos cuidados primários, medida que procurou dar maior fluidez aos circuitos e otimizar a resposta.

A verdade, porém, é que a ocupação das camas hospitalares se manteve elevada. Em resposta, foram abertas 14 camas de enfermaria dedicadas a infeções respiratórias nos HUC, no âmbito do plano de contingência.

A proximidade continuou a ser uma peça-chave. A Linha SNS24 registou 2780 atendimentos, dos quais 1141 derivaram em consultas médicas ou orientação para autocuidado — o valor mais elevado desde o início deste serviço. Este mecanismo, enquadrado na campanha “Ligue Antes, Salve Vidas”, permite que os cidadãos sejam contactados pelo seu médico de família ou encaminhados para os Centros de Atendimento Clínico, evitando deslocações desnecessárias e esperas prolongadas. Os próprios CAC atenderam 638 utentes, ajudando a redistribuir a procura.

No campo da vacinação, os números mostram uma evolução positiva, ainda que com assimetrias. Até 14 de dezembro, foram administradas 58 395 vacinas contra a COVID-19 (mais 957 numa semana) e 101 315 contra a gripe (mais 2722). Entre a população com 65 ou mais anos, a cobertura chegou aos 43,45% para a COVID-19 e a 70,49% para a gripe. As farmácias comunitárias administraram 25 616 doses contra a COVID-19 e 44 999 contra a gripe, enquanto o SNS aplicou 32 779 e 56 316, respetivamente. Nos grupos mais idosos, a proteção contra a gripe supera os 87% entre pessoas com mais de 85 anos, um dado que reflete o esforço de proteção dos mais vulneráveis.

Perante a evolução da procura e a proximidade dos limiares definidos, a ULS equaciona ativar até ao final da semana o Nível 2 de contingência no Serviço de Urgência de adultos e nos cuidados de saúde primários. Essa medida implicará, de acordo com o plano, o reforço progressivo das áreas assistenciais respiratórias, a expansão da capacidade instalada, o alargamento de horários e uma reorganização mais profunda das agendas clínicas.

A instituição apela a uma utilização responsável dos serviços, recomendando o contacto prévio com a SNS24 como via preferencial para obter a resposta adequada, no local e no tempo devidos. Reitera, igualmente, a importância da vacinação contra a gripe e a COVID-19, bem como das medidas preventivas de etiqueta respiratória, ventilação e higiene das mãos. A ULS agradece o compromisso dos profissionais e a colaboração da população num período de exigências acrescidas para o sistema.

PR/HN/MM

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