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A Generalitat Valenciana, liderada pelo presidente Carlos Mazón, do Partido Popular, concordou em pagar um suplemento de 107 milhões de euros à concessionária Ribera Salud (Grupo que gere o Hospital de Cascais, em Portugal, na imagem)). Segundo o El País, o montante diz respeito à gestão dos departamentos de saúde de Dénia, Torrevieja e Elche-Crevillent (Vinalopó) nos anos de 2020, 2021 e 2022. O acordo foi tomado numa reunião de uma comissão mista no passado dia 8 de janeiro, que, de acordo com a mesma fonte, durou escassos dez minutos.
A coligação Compromís, conforme relatado pelo periódico, denunciou esta terça-feira o que classifica como um “rescate millonario” à empresa privada. Os porta-vozes Joan Baldoví e Carles Esteve sustentam que o valor resulta de aumentos injustificados na cápita – o montante pago por habitante – que em alguns casos ultrapassaram os 10%. No caso do departamento de Elche-Crevillent, cujo contrato foi prolongado, o aumento previsto era de apenas 1,5%, alegam.
De acordo com a informação do El País, a revisão aprovada em Janeiro introduziu um novo cálculo que elevou drasticamente a cápita. Para o departamento do Vinalopó, o único que permanece privatizado, o valor por pessoa passará para 1.066,44 euros em 2025, mais do dobro dos 494,72 euros iniciais. Este ajuste beneficiaria a Ribera Salud com liquidações pendentes dos três anos em causa.
A empresa tem estado no centro de uma forte polémica depois de o mesmo jornal ter divulgado uns audios nos quais o atual CEO, Pablo Gallart, então responsável financeiro, ordenava recusar determinados pacientes num hospital de Madrid para aumentar os lucros. Na reunião de janeiro da comissão mista, segundo as atas a que o El País teve acesso, esteve presente precisamente Pablo Gallart, na altura chief financial officer do grupo.
Na sua crítica, o Compromís vai mais longe e liga este fluxo de dinheiro público a uma aquisição recente do grupo. “Com este dinheiro público, a Ribera Salud pôde adquirir recentemente o Hospital Clínica Benidorm por uns 120 milhões de euros”, afirmou Carles Esteve, citado pelo El País, notando que o gerente dessa clínica privada é irmão do conselheiro de Sanidad, Marciano Gómez.
Em resposta, a Conselleria de Sanidad, citada pelo diário, reduziu o alcance da situação, explicando que se tratou de um “ajuste matemático” previsto no contrato, baseado em critérios técnicos e dados oficiais como o IPC. Fontes oficiais do departamento, segundo o El País, acrescentaram que, nos primeiros dezoito meses deste governo, se resolveram 23 liquidações com concessionárias, e que o saldo da relação económica com a Ribera Salud está favorável à Generalitat em 58 milhões de euros. Todas as operações, garantem, foram validadas pelos serviços de intervenção e advocacia da Generalitat.
NR/EP/HN



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