Helicóptero de emergência médica de Loulé retoma operações após reparação

18 de Dezembro 2025

O helicóptero de emergência médica do INEM estacionado em Loulé voltou a operar esta quarta-feira, 18 de dezembro, após intervenção da Airbus. O aparelho estava parado desde o dia 6, levando o instituto a aplicar cláusulas contratuais de penalização

O helicóptero Airbus H145, que assegura o transporte aéreo de emergência no Algarve, está novamente a voar. Uma fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica, contactada pela Lusa, avançou que a aeronave “já está a operar” depois dos trabalhos de reparação concluídos pela fabricante Airbus. A mesma oficial confirmou que o INEM vai agora aplicar as sanções previstas no contrato pelo período de inoperacionalidade, que se estendeu por cerca de doze dias. O aparelho é um dos quatro que compõem a rede nacional de helitransporte médico.

A avaria, descrita inicialmente pela empresa operadora Gulf Med como uma “questão técnica inesperada”, ocorreu ainda dentro do período de garantia do fabricante. No comunicado divulgado a 6 de dezembro, o INEM havia esclarecido que a responsabilidade pela intervenção cabia integralmente à Airbus, embora a situação tenha deixado a região do Algarve dependente exclusivamente de uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) para cenários de socorro mais críticos. A equipa de tripulantes manteve-se, contudo, de prevenção na base de Loulé.

Este contratempo surge num contexto particularmente sensível. A rede de helicópteros do INEM, que inclui ainda as bases de Macedo de Cavaleiros, Viseu e Évora, só começou a funcionar em pleno a 1 de novembro, depois de um atraso acumulado de quatro meses na sua implementação. O modelo de contrato com a Gulf Med, válido até 2030, estabelece mecanismos de resposta para estes imprevistos, mas a verdade é que cada dia de paragem representa um risco calculado. Profissionais no terreno confessam, à margem, uma certa apreensão sempre que uma destas aeronaves fica em terra, sobretudo em regiões com acessos terrestres mais demorados.

O reinício das operações em Loulé normaliza, pelo menos por agora, a cobertura aérea no sul do país. O INEM não adiantou pormenores sobre a natureza específica da avaria nem sobre o montante das penalizações a aplicar, limitando-se a referir que seguirá o estipulado no acordo. A Gulf Med, por seu lado, garantiu durante o processo ter feito “todos os esforços” para agilizar a reparação junto da Airbus. Resta saber se incidentes deste tipo, ainda que cobertos por garantia, se tornarão recorrentes numa frota que mal completou o primeiro mês de operação contínua.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Época das chuvas já matou 270 pessoas em Moçambique desde outubro

A época das chuvas em Moçambique já matou 270 pessoas desde outubro, com quase 870 mil afetadas. Os dados foram atualizados hoje pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que regista ainda mais de 10 mil casas destruídas e perto de 400 mil hectares de culturas perdidos

Tabaco aquecido divide ciência enquanto Suécia adopta redução de riscos

A adopção de políticas de substituição do tabaco de combustão por alternativas como o tabaco aquecido ganha terreno na Europa, mas a evidência científica sobre os benefícios para a saúde pública está longe de ser consensual. Em Dezembro de 2024, o parlamento sueco formalizou uma estratégia de redução de danos, tornando-se o primeiro país a inscrever na lei o princípio de que os produtos sem combustão, incluindo o tabaco aquecido, representam um risco inferior ao dos cigarros convencionais. A decisão baseia-se em dados de saúde pública que apontam para uma incidência de cancro 41% inferior à média europeia e para uma mortalidade atribuível ao tabaco 44% mais baixa. Mas enquanto a Suécia, o Japão ou a Nova Zelândia avançam com modelos permissivos, organizações independentes de saúde questionam a solidez dos estudos que sustentam essas políticas .

A dignidade invisível de quem cuida

Abel García Abejas, Médico
MGF Cuidados Paliativos; Doutorando em Medicina, Docente de Bioética na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

Cem anos de medicina no feminino celebrados em Coimbra

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos promove no dia 12 de março, pelas 18h30, uma tertúlia e inauguração de exposição que assinalam o centenário da presença feminina na medicina em Portugal, num evento híbrido com transmissão online a partir da Sala Miguel Torga, em Coimbra

“Epidemia silenciosa”: distúrbios do sono afetam 800 mil crianças em Portugal

No Dia Mundial do Sono, assinalado esta sexta-feira, dados revelam que cerca de 30% das crianças portuguesas enfrentam dificuldades para dormir, estimando-se que 40% apresentem distúrbios associados a hábitos precocemente consolidados. A coordenadora da Pós-graduação em Sono da Criança, Adolescente e Família, Joana Marques, classifica a situação como um problema de saúde pública negligenciado, com impacto direto na aprendizagem, memória e atenção dos mais novos. “O sono infantil não é um detalhe de rotina, é um pilar essencial para o desenvolvimento neurocognitivo e emocional”, sublinha, acrescentando que dormir mal pode potenciar obesidade, diabetes e alterações de comportamento. A privação de sono afeta também a saúde mental dos pais, limitando a capacidade de resposta ao stresse

COVID longa mais incapacitante nas mulheres. Estudo português aponta diferenças biológicas

As mulheres com covid longa sofrem sintomas mais incapacitantes do que os homens devido a alterações distintas no sistema imunitário feminino, revela um estudo liderado pela NOVA Medical School. A investigação, coordenada por Helena Soares, comparou 34 pessoas com sintomas persistentes entre nove meses e cinco anos após infeção por SARS-CoV-2 com 26 indivíduos igualmente infetados mas assintomáticos. As mulheres apresentam maior carga de sintomas, sobretudo fadiga, dificuldades de concentração e problemas de memória, que se agravam com a idade e duração da doença

Fármaco oral da Bristol Myers mostra eficácia em mieloma de difícil tratamento

A Bristol Myers Squibb revelou esta quarta-feira resultados positivos de um estudo de fase 3 para um fármaco experimental oral, administrado em combinação com carfilzomib e dexametasona, demonstrando melhoria significativa na sobrevivência livre de progressão em doentes com mieloma múltiplo recidivante ou refratário

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights