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O procedimento, realizado a 18 de dezembro de 2025, foi levado a cabo pela equipa de Cirurgia Cardiotorácica liderada por Paulo Neves. Esta implantação coloca o hospital português no grupo restrito de centros europeus que adotaram a tecnologia, a par de instituições em países como Áustria, França, Alemanha, Itália, Espanha e Irlanda.
O cirurgião João Pedro Monteiro, envolvido no procedimento, destacou a capacidade de recaptura e reposicionamento do dispositivo durante o ato operatório. “Esta tecnologia representa um avanço significativo na nossa capacidade de proteger os nossos doentes do risco de AVC de forma mais segura e controlada”, afirmou. “A possibilidade de reposicionar o clipe durante a cirurgia dá-nos uma confiança acrescida para garantir o melhor resultado possível”, acrescentou Monteiro.
O Penditure™ distingue-se dos métodos tradicionais de sutura pelo seu design curvo, que se adapta à anatomia cardíaca. Composto por materiais que excluem tecido, o dispositivo visa também minimizar reações inflamatórias. A sua principal inovação reside, contudo, na flexibilidade que oferece à equipa cirúrgica para ajustar a sua posição antes da implantação definitiva.
A fibrilhação auricular, a arritmia cardíaca mais comum, eleva consideravelmente o risco de ocorrência de AVC. Em muitos casos, os coágulos formam-se precisamente no apêndice auricular esquerdo, uma pequena estrutura em forma de bolsa. As diretrizes clínicas recomendam, por isso, a oclusão desta zona durante cirurgias cardíacas em doentes com esta condição, de forma a impedir que coágulos se desloquem para a corrente sanguínea.
A introdução do dispositivo em Portugal integra-se no lançamento europeu mais alargado. Curiosamente, o sistema já foi utilizado em mais de 10.000 doentes a nível global, um número que espelha a sua disseminação progressiva. A equipa de Gaia e Espinho espera agora acompanhar os resultados a longo prazo nos seus próprios doentes, num processo que poderá abrir caminho a uma adoção mais ampla no país.



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