Hospital de Vila Franca de Xira gasta 6ME por ano em camas para internamentos sociais

22 de Dezembro 2025

O presidente do conselho de administração do hospital revelou que mais de oitenta doentes com alta clínica permanecem em camas contratualizadas, por falta de vaga na rede de cuidados continuados

São mais de oitenta os doentes que, tendo já recebido alta clínica, continuam a ocupar um lugar no Hospital de Vila Franca de Xira. A conta desta permanência, que se arrasta por falta de vaga na rede nacional de cuidados continuados integrados, ascende a um valor superior a seis milhões de euros em cada ano. A confirmação foi dada esta terça-feira pelo presidente do conselho de administração, Nuno Cardoso, à margem de uma visita da ministra da Saúde à unidade.

Estas pessoas, explicou Nuno Cardoso, estão tecnicamente internadas, mas fora do contexto hospitalar propriamente dito. A solução encontrada pela administração passou por contratualizar camas para ali manter os doentes, num improviso caro e prolongado, à espera que uma vaga surta noutro ponto do sistema. Um cenário que espelha um estrangulamento conhecido e que consome recursos financeiros avultados.

No final do périplo pelas instalações, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, não ignorou as carências sentidas no hospital. No seu curto encontro com os jornalistas, Martins dedicou contudo mais tempo a outro tema premente: os tempos de espera nos serviços de urgência. Reconheceu, sim, a necessidade de uma “maior literacia” na população para interpretar esses mesmos prazos, um aspecto que, na sua opinião, é frequentemente mal compreendido.

A governante procurou desmontar a perceção geral. “Os tempos de espera que interessam para o doente”, esclareceu, “são o que medeia entre a chegada e a triagem e, depois da triagem, o tempo até à primeira observação por um médico”. Tudo o que se segue – “oito, dez ou até mais horas a fazer exames e análises e à espera dos resultados” – foi descrito como um procedimento normal, inerente ao próprio processo de diagnóstico.

O dia 26 de dezembro, tolerância de ponto decretada pelo governo, trouxe outra questão prática. Ana Paula Martins admitiu a impossibilidade de todos os profissionais de saúde gozarem a dispensa, dada a necessidade de assegurar resposta aos doentes. No entanto, garantiu que o direito lhes assiste e que terão oportunidade de usufruir desse dia noutra altura, assegurando que serão feitos os necessários ajustes de escalas. Uma garantia dada de forma perentória, mas que deixou no ar a complexidade logística da operação num setor sob permanente tensão.

NR/HN/Lusa

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