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São mais de oitenta os doentes que, tendo já recebido alta clínica, continuam a ocupar um lugar no Hospital de Vila Franca de Xira. A conta desta permanência, que se arrasta por falta de vaga na rede nacional de cuidados continuados integrados, ascende a um valor superior a seis milhões de euros em cada ano. A confirmação foi dada esta terça-feira pelo presidente do conselho de administração, Nuno Cardoso, à margem de uma visita da ministra da Saúde à unidade.
Estas pessoas, explicou Nuno Cardoso, estão tecnicamente internadas, mas fora do contexto hospitalar propriamente dito. A solução encontrada pela administração passou por contratualizar camas para ali manter os doentes, num improviso caro e prolongado, à espera que uma vaga surta noutro ponto do sistema. Um cenário que espelha um estrangulamento conhecido e que consome recursos financeiros avultados.
No final do périplo pelas instalações, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, não ignorou as carências sentidas no hospital. No seu curto encontro com os jornalistas, Martins dedicou contudo mais tempo a outro tema premente: os tempos de espera nos serviços de urgência. Reconheceu, sim, a necessidade de uma “maior literacia” na população para interpretar esses mesmos prazos, um aspecto que, na sua opinião, é frequentemente mal compreendido.
A governante procurou desmontar a perceção geral. “Os tempos de espera que interessam para o doente”, esclareceu, “são o que medeia entre a chegada e a triagem e, depois da triagem, o tempo até à primeira observação por um médico”. Tudo o que se segue – “oito, dez ou até mais horas a fazer exames e análises e à espera dos resultados” – foi descrito como um procedimento normal, inerente ao próprio processo de diagnóstico.
O dia 26 de dezembro, tolerância de ponto decretada pelo governo, trouxe outra questão prática. Ana Paula Martins admitiu a impossibilidade de todos os profissionais de saúde gozarem a dispensa, dada a necessidade de assegurar resposta aos doentes. No entanto, garantiu que o direito lhes assiste e que terão oportunidade de usufruir desse dia noutra altura, assegurando que serão feitos os necessários ajustes de escalas. Uma garantia dada de forma perentória, mas que deixou no ar a complexidade logística da operação num setor sob permanente tensão.
NR/HN/Lusa



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