ULS Santa Maria mantém serviços a funcionar a 50% no dia 26 devido a pico de infeções respiratórias

22 de Dezembro 2025

A Unidade Local de Saúde de Santa Maria, em Lisboa, vai ter funcionamento normal na sexta-feira, 26 de dezembro, dia de tolerância de ponto. A decisão, tomada em gestão participativa, visa responder ao aumento significativo de casos de gripe e outras infeções respiratórias

Todos os serviços da Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa Maria, em Lisboa, vão funcionar na sexta-feira, dia 26 de dezembro, apesar de ser um dia de tolerância de ponto concedido pelo Governo. A decisão, que surpreende pela dimensão da abertura num feriado, teve por base uma análise cuidada da procura motivada pelo aumento agudo de infeções respiratórias e de casos de gripe na população. O anúncio foi feito hoje pelo presidente da instituição, Carlos Martins.

Um despacho interno do Conselho de Administração, que a Lusa consultou, define expressamente o funcionamento normal de todos os serviços no dia 26. O documento sublinha a necessidade de cumprir o plano de inverno e assegurar o regular funcionamento dos serviços de internamento, “nomeadamente com vista a assegurar a concessão de altas”. Isto porque, nas palavras do próprio presidente, a pressão sobre os corredores do hospital é já visível. A instituição encontra-se atualmente na fase 2 do seu Plano de Contingência Sazonal de Inverno, um nível que aciona medidas de resposta reforçada.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Martins explicou que a decisão foi tomada em gestão participativa, após audição dos dirigentes, e resulta de uma leitura pragmática do despacho governamental. “O entendimento é que a Unidade Local de Saúde de Santa Maria tem uma responsabilidade muito grande no Serviço Nacional de Saúde e na nossa área de responsabilidade, mas não só porque 80% dos nossos doentes são fora de área [de Lisboa]”, afirmou o responsável, realçando o peso nacional daquela unidade hospitalar. A rede de cuidados de proximidade, como unidades de saúde familiar e de cuidados na comunidade, será também mobilizada, algo que a administração considera “muito importante” para garantir resposta integrada.

O modelo operacional desenhado é, no fundo, um equilíbrio complexo entre a lei e a necessidade. Nos dias 24 e 25 de dezembro, o funcionamento será o típico de um feriado, com serviços mínimos. Já no dia 26, a instituição entrará num modo de atividade normal, ainda que com um efetivo reduzido. A previsão é que todos os serviços – clínicos, de gestão e de apoio – funcionem a 50% da sua capacidade, um número que a administração acredita ser suficiente para dar resposta ao fluxo esperado. Esta solução de meio-termo tenta, assim, conciliar o direito dos trabalhadores ao descanso com a procura assistencial, que não conhece tolerâncias.

Carlos Martins adiantou que a escolha “teve muito a ver com a análise de toda a casuística das últimas duas semanas” e com as projeções, pouco animadoras, para os próximos dias. O fluxo de doentes com problemas respiratórios está a aumentar de forma clara, uma tendência que obriga a uma postura preventiva. Nos serviços hospitalares, serão asseguradas as consultas externas, as cirurgias, as sessões de hospital de dia e os exames complementares que estavam previamente agendados. Nos cuidados de saúde primários, as equipas devem garantir igualmente o funcionamento normal, incluindo o atendimento não programado, uma porta de entrada crucial em época de surtos.

O despacho administrativo é meticuloso nos pormenores. Determina que “eventuais desmarcações, imprevistas e clinicamente justificadas, terão de ser reagendadas com brevidade, obrigatoriamente até ao final do mês de janeiro de 2026”. Esta instrução pretende evitar que o reagendamento se arraste no tempo, criando novas bolsas de atraso no início do ano. No final das suas declarações, Carlos Martins deixou uma palavra, quase um suspiro de agradecimento, aos profissionais. Salientou o “grande sentido de responsabilidade” de quem estará ao serviço durante estes dias festivos para assegurar a resposta assistencial, num reconhecimento tácito do esforço adicional que esta decisão implica para as suas equipas.

NR/HN/Lusa

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