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A Secção Regional do Norte da Ordem manifestou preocupação com o alerta de médicos de Penafiel, que se recusam a aceitar mais doentes além de um limite por considerarem as condições atuais inseguras. A estrutura promete intervir.
A Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos (SRNOM) afirmou esta segunda-feira que vai acompanhar e intervir no processo gerado pelo alerta lançado pelos médicos internistas da Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa. Os clínicos, num documento tornado público, recusam-se a admitir mais doentes além de um teto máximo, denunciando uma sobrecarga assistencial crónica que atingiu um ponto crítico.
A posição da Ordem surge em reação direta a um comunicado dos profissionais do Serviço de Medicina Interna da Unidade Padre Américo, em Penafiel. No texto, os médicos descrevem um pico assistencial contínuo e acentuado nas últimas semanas, que ultrapassa “todos os limites previamente observados”. A situação, afirmam, compromete objetivamente a segurança e a qualidade dos cuidados.
De forma inédita, os signatários estabeleceram um limite físico de 166 doentes internados no seu serviço. A partir desse ponto, anunciam que “não tomarão decisões que coloquem em risco os doentes” e não aceitarão a manutenção de pessoas “em condições irregulares, inseguras ou indignas”, como camas colocadas fora das enfermarias ou das unidades de transição. A responsabilidade pelo internamento, avisam, passará então para o superior hierárquico, embora garantam todos os cuidados urgentes e inadiáveis.
A SRNOM, que recebeu o documento, manifestou preocupação face à gravidade descrita. No seu comunicado, a estrutura liderada por Carlos Dias assegura que, “zelando pelo melhor interesse da segurança dos doentes e dos profissionais”, irá atuar dentro das suas competências para “promover a procura de soluções”. A linguagem é cautelosa, mas o reconhecimento oficial do problema é claro.
Paralelamente, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) emitiu um apoio “total, inequívoco e incondicional” à decisão dos internistas. Classificou o documento como “tecnicamente irrepreensível, eticamente obrigatório e juridicamente prudente”. O Sindicato dos Médicos do Norte, filiado na FNAM, já exigiu explicações formais e uma reunião urgente ao Conselho de Administração da ULS.
Os médicos fundamentam a sua posição, que chamam de “ponderada e tecnicamente fundamentada”, na defesa dos princípios éticos da profissão e da missão assistencial do hospital. Referem que o hospital tem funcionado historicamente em regime de sobrecarga, mas que a pressão atual nos internamentos criou um patamar insustentável. O alerta funciona como um sinal de rutura, lançado para dentro e para fora da instituição, numa tentativa clara de forçar uma mudança concreta na gestão dos fluxos de doentes.
A bola está agora no campo da administração da ULS do Tâmega e Sousa, perante a tomada de posição firme dos seus clínicos, o escrutínio público e a promessa de intervenção da Ordem dos Médicos.
NR/HN/Lusa



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