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O Programa ACOLHER, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), apoiou diretamente mais de 3000 pessoas migrantes e refugiadas entre setembro e dezembro de 2025. Criado para promover o acesso equitativo à saúde e reforçar a literacia em saúde junto de populações em situação de vulnerabilidade, o programa desenvolveu cerca de 30 ações presenciais e online, distribuídas por múltiplas regiões do território continental.

As ações incluíram rastreios clínicos comunitários, sessões sobre saúde mental, saúde sexual, nutrição, doenças crónicas, saúde da mulher, literacia em saúde infantil e juvenil, bem como esclarecimentos sobre direitos, imigração e acesso ao SNS. Paralelamente, foram dinamizadas atividades de bem-estar, movimento e integração cultural. As sessões, com duração entre uma a três horas, foram desenhadas para capacitar os participantes, promover o autocuidado e facilitar o encaminhamento formal para serviços de saúde e apoio social.
A equipa do projeto contou com mais de 40 profissionais, entre médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, juristas, sociólogos e outros técnicos com experiência no trabalho com populações vulneráveis. A abrangência territorial incluiu localidades no Alentejo, Algarve, Lisboa, Almada, Braga, Leiria, Castelo Branco, Coimbra, Ponte de Lima, Penafiel, Gondomar e Viana do Castelo.
Alexander Kpatue, dirigente do Fórum Refúgio, partilhou a sua perspetiva sobre a iniciativa: “Olá tod@s. Tenho acompanhado atentamente a implementação bem-sucedida do projeto acolher, que demonstrou forte coordenação, objetivos claros e impacto significativo no acesso dos migrantes à literacia em saúde. As suas atividades melhoraram efetivamente o acesso a serviços e informações essenciais, fortaleceram a comunicação entre profissionais de saúde, a comunidade migrante, e organizações, promovendo um ambiente mais inclusivo. Por meio de apoio direcionado, capacitação e envolvimento local, o projeto abordou barreiras importantes e contribuiu para vias de integração mais eficientes e acolhedoras para migrantes e refugiados no sistema de saúde. No geral, o acolher atingiu os seus objetivos e proporcionou resultados tangíveis e positivos tanto para os prestadores de serviços como para as comunidades que serve. Em nome do Fórum Refúgio Portugal e da união de refugiados em Portugal, gostaria de expressar os meus agradecimentos e apreço ao SPLS e a todos os profissionais de saúde e instituições que contribuíram para a implementação bem-sucedida do projeto. Como alguém que trabalha na promoção da integração e inclusão total dos migrantes, o projeto acolher provou ser uma boa prática para um dos principais desafios que os migrantes enfrentam, que é o acesso à sensibilização para os cuidados de saúde e a informação valiosa sobre literacia em saúde. Espero poder contribuir para futuras colaborações e encontrar recursos para tornar o acolher uma iniciativa contínua que ajude a colmatar as lacunas do sistema de saúde em relação aos grupos vulneráveis. Valorizei muito ter percorrido esta jornada convosco nos últimos meses.”
Também Miguel Telo de Arriaga, professor e consultor na área da prevenção da doença e promoção da saúde, acompanhou o desenvolvimento do programa, sublinhando o seu alcance prático: “Enquanto consultor na área da prevenção da doença, promoção da saúde e literacia em saúde, acompanhei com particular atenção a implementação deste programa, reconhecendo nele uma boa prática nacional. O ACOLHER não se limita à transmissão de informação; promove competências, cria pontes entre comunidades e serviços, reduz barreiras linguísticas e culturais e reforça a confiança no sistema de saúde.”
Cristina Vaz de Almeida, presidente da SPLS e mentora do programa, defendeu a continuidade da iniciativa, referindo que “a continuidade do Programa ACOLHER é um imperativo para a saúde das populações vulneráveis e a sua capacitação”. Sublinhou ainda que o nível de satisfação dos destinatários e das equipas ficou evidente nos relatórios produzidos e que se procurarão juntar esforços com outros parceiros para estender as ações a mais regiões de Portugal.
Os dados recolhidos ao longo da execução do projeto apontam para elevados níveis de participação e satisfação, identificação de necessidades de saúde não monitorizadas, ganhos relevantes em conhecimento e competências de literacia em saúde e um reforço da confiança no acesso e utilização do SNS. O programa gerou ainda impacto mediático, contribuindo para dar visibilidade pública à literacia em saúde como eixo estratégico de inclusão.



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