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Um composto à base do raro metal irídio mostrou-se altamente eficaz no combate a estirpes bacterianas problemáticas, incluídas algumas semelhantes à mortal Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA). A descoberta, apresentada na edição de hoje da revista Nature Communications, resulta do trabalho de uma equipa do Departamento de Química da Universidade de York, no Reino Unido, e é apontada como um caminho promissor numa área de investigação praticamente parada.
O grupo, liderado pelo investigador Angelo Frei, não esconde uma certa surpresa perante os resultados. O composto destacou-se não só pela ação antibacteriana, mas também por exibir uma toxicidade reduzida face a células humanas saudáveis em ensaios de laboratório. Este perfil sugere um índice terapêutico favorável, um parâmetro crucial para a eventual desenvolvimento de um fármaco. A abordagem do team fugiu aos métodos tradicionais. Em vez de moléculas orgânicas planas, a aposta recaiu em complexos metálicos tridimensionais, cuja geometria distinta pode permitir atacar as bactérias por vias alternativas, contornando os mecanismos de resistência que inutilizam muitos antibióticos atuais.
Para acelerar a prospeção, os cientistas recorreram a um sistema robótico de síntese automatizada. A plataforma permitiu criar e triar centenas de compostos metálicos complexos em tempo recorde — mais de 700 numa única semana. Desse vasto leque, seis demonstraram potencial relevante, com o complexo de irídio a emergir como o candidato mais sólido. “A procura de novos antibióticos está estagnada há décadas”, admitiu Angelo Frei, citado num comunicado difundido pela agência EFE. “Os métodos de rastreio tradicionais são lentos e a indústria farmacêutica praticamente abandonou esta área devido ao baixo retorno do investimento. Precisamos de pensar de forma diferente”, acrescentou.
A crise da resistência antimicrobiana é uma sombra sobre a medicina moderna, responsável por mais de um milhão de mortes anuais em todo o mundo. Sem novos agentes eficazes, intervenções médicas comuns, desde quimioterapias a transplantes, podem tornar-se procedimentos de alto risco devido a infeções intratáveis. O achado agora divulgado, ainda numa fase pré-clínica inicial, oferece uma nova pista material para enfrentar este problema global. A equipa de York concentra-se agora em desvendar o mecanismo de ação preciso do complexo de irídio contra as paredes bacterianas e em expandir a sua plataforma robótica para testar a biblioteca de outros metais.
Ligação para o estudo: https://www.nature.com/articles/s41467-025-50431-7
NR/HN/Lusa



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