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A contagem nacional de focos de gripe das aves subiu para 52 com a mais recente confirmação laboratorial no distrito de Aveiro, um número que espelha a circulação persistente do vírus no território português ao longo de todo o ano. A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) anunciou a deteção num periquito-das-praias, uma ave selvagem encontrada no concelho de Vagos.
Trata-se já do segundo episódio reportado naquela região apenas durante o mês de dezembro, um dado que não surpreende os técnicos mas que reforça o alerta. O subtipo identificado, H5N1, é de facto o mais comum nas ocorrências em Portugal, seguindo uma tendência global. A autoridade sanitária não tem poupado esforços para travar o alastramento, mas a tarefa é complexa, envolvendo ecossistemas naturais e explorações comerciais.
O contágio de humanos é um evento raro, registado de forma esporádica a nível mundial, mas as consequências podem ser graves quando acontece. Esse risco, ainda que baixo, justifica em parte a bateria de medidas restritivas que está em vigor. Desde logo, o confinamento obrigatório de todas as aves domésticas no continente, uma regra que muitos criadores já interiorizaram mas que nem sempre é fácil de cumprir à risca.
A proibição de feiras, mercados e exposições de aves retirou alguma animação às localidades mais rurais, num impacto colateral visível da epidemia. E nas chamadas zonas de proteção e vigilância, que são estabelecidas em redor de um foco confirmado, as limitações apertam-se ainda mais: fica travado o movimento de aves, a repovoação de espécies de caça, e até a circulação de carne fresca de caça ou de ovos para consumo provenientes dessas áreas. São condicionantes duras para o setor, que a DGAV considera indispensáveis face ao que classifica como um “alto risco de disseminação”.
A vigilância continua, num trabalho silencioso de recolha e análise de amostras. O periquito-das-praias de Vagos é mais um ponto num mapa que os serviços oficiais preferiam ver vazio. O vírus, porém, mostra teimosia.
NR/HN/Lusa



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