![]()
Jair Bolsonaro foi transferido do cárcere para o hospital DF Star, em Brasília, onde será submetido a uma intervenção cirúrgica para corrigir duas hérnias inguinais. Esta é a primeira vez que o antigo Presidente deixa a prisão desde novembro, por decisão judicial.
O Supremo Tribunal Federal, através do seu relator, o juiz Alexandre de Moraes, autorizou a saída temporária e estabeleceu um protocolo rigoroso de segurança. Durante o transporte e a estadia, Bolsonaro será permanentemente escoltado de forma discreta por agentes da Polícia Federal. Pelo menos dois efetivos permanecerão à porta do seu quarto, com outras equipas posicionadas no interior e no exterior da unidade hospitalar.
A ordem judicial especifica ainda uma restrição incomum: fica proibida a entrada no aposento do paciente de qualquer equipamento eletrónico, como computadores, telefones fixos ou telemóveis. A única exceção para acompanhante é a sua mulher, Michelle Bolsonaro, que poderá permanecer com ele durante a internação. Qualquer outra visita, frisou Moraes, carece de autorização prévia do tribunal.
Esta decisão surge apenas dias depois de o magistrado ter negado um novo pedido de prisão domiciliária apresentado pela defesa do ex-chefe de Estado. Na sua fundamentação, o juiz invocou a “ausência total dos requisitos legais” para tal benefício e o histórico de “reiterado incumprimento das medidas cautelares” anteriormente impostas ao réu.
Bolsonaro, que governou o Brasil entre 2019 e 2022, cumpre uma pena superior a 27 anos de prisão, condenado por crimes contra o Estado democrático de direito. O seu estado de saúde, segundo fontes próximas, tem sido objeto de preocupação há vários meses, com episódios recorrentes de vómitos, tonturas e crises de soluços persistentes. Essas complicações são frequentemente associadas pelas suas equipas médicas às sequelas do atentado a faca que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018, um episódio que marcou a sua trajetória política.
A cirurgia, conforme indicado pela direção do hospital à agência France-Presse (AFP), está agendada para esta quinta-feira. O período exato de convalescença e o regresso ao regime carcerário comum dependerão da evolução clínica do paciente, mas sob a sempre presente supervisão das autoridades judiciais e policiais.
NR/HN/Lusa



0 Comments