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O panorama nas urgências do Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca, na Amadora, desenhou-se esta manhã com contornos particularmente críticos. Dados consultados no portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) pelas 10:45 revelaram uma situação de congestionamento extremo, com dezenas de doentes à mercê de relógios que pareciam ter parado.
Concretamente, 41 utentes já triados e identificados com pulseira amarela – a cor que sinaliza um caso urgente – tinham um tempo de espera médio projetado para primeira observação médica de 11 horas e 30 minutos. Um número que, longe de ser uma abstração, se traduz em longas horas de espera em macas nos corredores ou nas cadeiras das salas de espera, num teste à resistência física e à ansiedade. Para quem chegou com uma pulseira verde, classificada como pouco urgente, a espera alargava-se ainda mais, para as 14 horas.
A gravidade da situação no Amadora-Sintra torna-se mais nítida quando contrastada com a de outras unidades. No Hospital Garcia de Orta, em Almada, por exemplo, os 28 doentes urgentes registados à mesma hora enfrentavam uma espera consideravelmente menor, ainda que longa, de 6 horas e 15 minutos.
Estes tempos distanciam-se de forma abismal dos padrões de referência estabelecidos no sistema de triagem de Manchester, aquele que rege estes procedimentos. Segundo este protocolo, um caso urgente (amarelo) deveria ser observado no prazo máximo de 60 minutos após a triagem. Já as situações muito urgentes, de pulseira laranja, têm um tempo de resposta ideal de 10 minutos, enquanto os casos verdes, menos graves, um alvo de 120 minutos. Metas que, hoje, no Amadora-Sintra, soam a ficção científica para dezenas de pessoas.
As autoridades de saúde insistem, de forma quase litúrgica, num apelo à população: antes de qualquer deslocação a um serviço de urgência hospitalar, deve ser contactada a Linha SNS24 (808 24 24 24). O objetivo é descongestionar estas unidades, direcionando apenas os casos que realmente carecem daquele nível de cuidados. Um conselho sábio, sem dúvida, mas que pouco conforto traz àqueles que, já dentro do hospital, veem as horas arrastarem-se sem perspetiva de ser chamados. O sistema, claramente, está sob uma pressão que não conhece feriados.
A informação detalhada sobre os tempos de espera em todas as unidades do país pode ser acompanhada em tempo quase real através do portal do SNS, no seguinte endereço: https://www.sns.gov.pt/tempo-de-espera/.
NR/HN/Lusa



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