Doentes urgentes esperam quase três horas para primeira observação nos hospitais do SNS

28 de Dezembro 2025

O tempo médio de espera para doentes urgentes nas urgências do SNS é hoje de quase três horas, um valor que dispara para mais de quatro horas e meia na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo dados oficiais

Os doentes classificados como urgentes enfrentam uma espera média de quase três horas para serem primeiramente observados nas urgências hospitalares do Serviço Nacional de Saúde. Para os casos de maior gravidade, designados muito urgentes, o tempo desce para 49 minutos, segundo dados oficiais.

A situação assume particular gravidade na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde as demoras se alongam significativamente. Nesta zona, um doente com a triagem de urgente espera, em média, quatro horas e meia. Até os que chegam com a cor vermelha, os muito urgentes, aguardam uma hora e doze minutos pela primeira avaliação clínica. Os números foram capturados no portal do SNS pelas 09:15 desta manhã.

Naquele momento, um painel nacional apontava para 368 pessoas em fila à espera de primeira observação em todo o país. Sozinha, a região de Lisboa concentrava 150 desses utentes, ou seja, mais de 40 por cento do total. Este desequilíbrio geográfico não é novidade, mas os números de hoje são particularmente expressivos.

Um olhar sobre unidades específicas desenha um quadro ainda mais complexo. No Hospital de Santa Maria, um dos maiores de Lisboa, as esperas atingiam picos preocupantes às 09:15. Para um doente urgente, o relógio marcava uma espera média superior a oito horas e quarenta minutos. Já os muito urgentes, teoricamente prioritários absolutos, esperavam duas horas e um quarto.

Estes tempos refletem a pressão extrema nos serviços de urgência, um cenário que se repete com frequência nesta época do ano, agravado por surtos de doenças respiratórias e pela ainda frágil recuperação de muitas unidades de cuidados de saúde primários. A porta de entrada hospitalar continua a ser a solução para milhares de portugueses, que lá encontram, no entanto, corredores apinhados e um sistema a respirar com dificuldade.

Os dados são públicos e atualizados em tempo real, mas a sua crueza nem sempre se traduz em medidas capazes de inverter a tendência. Enquanto isso, nas salas de espera, o tempo conta de forma diferente. Para o utente, cada minuto é uma eternidade; para o sistema, um recurso escasso que se esgota.

A situação pode ser acompanhada em pemanência no portal do SNS, através do dashboard de acessibilidade.

NR/HN/Lusa

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