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Um cenário de horror interrompeu a tranquilidade de um bairro residencial em Commewijne, subúrbio a leste da capital do Suriname, na noite de sábado. Um homem, identificado apenas como um residente local, desferiu um ataque violento com um objeto cortante, ceifando a vida de nove pessoas. O balanço, divulgado em comunicado pelas autoridades policiais, é profundamente trágico: entre os mortos estão quatro adultos e cinco crianças. Quatro dessas crianças eram filhos do próprio suspeito.
Os acontecimentos desenrolaram-se numa moradia onde, segundo relatos de vizinhos colhidos pela imprensa surinamesa, residia a família do agressor. Ainda não estão totalmente claros os motivos que levaram ao episódio, embora haja referências, não confirmadas oficialmente, a históricos de problemas de saúde mental do indivíduo. Para além dos familiares, o ataque alastrou-se a vizinhos que se encontravam no local.
A força policial da região Leste, chamada ao local, deparou-se com uma situação crítica. No comunicado, a polícia descreve que o suspeito, ao ver a chegada dos agentes, voltou-se contra eles brandindo a arma do crime. Perante a ameaça iminente, os oficiais usaram as suas armas de fogo, atingindo o homem nas pernas. O indivíduo foi subsequentemente transportado de ambulância para cuidados hospitalares, encontrando-se agora sob custódia policial. Uma sexta criança e um adulto, que sobreviveram com ferimentos graves, foram também urgentemente encaminhados para o hospital. O seu estado clínico permanece sob observação.
A onda de choque provocada pela notícia levou a presidente do Suriname, Jenny Geerlings-Simons, a manifestar-se publicamente. Através de uma publicação na rede social Facebook, a chefe de Estado expressou consternação perante a tragédia. “Numa altura em que a família e os amigos deveriam estar unidos e a apoiar-se mutuamente, deparamo-nos com a dura realidade de que existe um outro lado do mundo”, escreveu. Geerlings-Simons confirmou tratar-se de um pai que “tira a vida aos seus próprios filhos e ainda assim mata os seus vizinhos”, endereçando votos de força aos enlutados. As suas palavras ecoam o sentimento de incredulidade que varre a pequena comunidade.
O Suriname, país de língua neerlandesa encravado no norte da América do Sul, raramente vê eclodir episódios de violência com esta dimensão e características. A investigação às circunstâncias exatas do crime, incluindo a sequência de eventos e os possíveis antecedentes do homicida, continua agora sob a alçada da polícia. Enquanto isso, as ruas tranquilas de Commewijne carregam o peso de uma perda coletiva e de perguntas ainda sem resposta.
NR/HN/Lusa



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