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O Governo cabo-verdiano aprovou formalmente o plano de criação do Hospital Nacional de Cabo Verde (HNCV), que será construído na Praia, mais concretamente na zona de Achada Limpo. A decisão, publicada em decreto no Boletim Oficial desta terça-feira, consagra a futura unidade como o polo máximo de complexidade clínica do arquipélago, destinado a alterar profundamente a rede de saúde do país.
A ambição, lê-se no documento, é que o HNCV funcione como a âncora nacional para casos de alta complexidade, mas também como um centro dinamizador de ensino médico e de investigação biomédica. A sua missão será, de forma crua, tentar travar o fluxo contínuo de cabo-verdianos que todos os anos são transferidos para o estrangeiro em busca de tratamentos especializados que o sistema de saúde local não consegue fornecer. O Governo classifica o projeto como exequível e financeiramente sustentável, uma peça-chave na estratégia de soberania sanitária.
A infraestrutura, de propriedade pública e integrada no setor estatal, ocupará uma área de 30 mil metros quadrados e terá capacidade para 144 camas. O modelo de gestão admite, com cautela, parcerias público-privadas, mas apenas para serviços complementares não clínicos. O Estado reserva para si a propriedade do edifício, a definição estratégica, a supervisão clínica e a responsabilidade académica. Será um hospital exclusivamente de referência, ou seja, só aceitará doentes encaminhados de outras unidades, com admissões programadas.
O plano de serviços é vasto e reflete uma análise às principais carências. Estão previstas especialidades como cardiologia de intervenção, neurocirurgia, oncologia médica com radioterapia, cirurgia oncológica e hematologia. A ideia é que, numa primeira fase, o hospital ataque as áreas responsáveis por cerca de 72% das transferências médicas para fora do país. O horário clínico será alargado, até às 20h00, embora as áreas de internamento e cuidados intensivos funcionem, naturalmente, de forma ininterrupta.
Para além da dimensão assistencial, o executivo não esconde que vê no HNCV uma alavanca económica. Fala-se abertamente no potencial para captar turismo de saúde, na criação de emprego – tanto qualificado como não qualificado – e na dinamização de setores adjacentes, da hotelaria aos transportes e à tecnologia. É uma aposta de fundo.
O concurso internacional para a construção do hospital deverá ser lançado em breve, depois de um anúncio prévio feito ainda no verão. O investimento está estimado em cerca de 210 milhões de euros. Se tudo correr como planeado, as obras na Achada Limpo deverão começar a meados do próximo ano, dando corpo a um projeto há muito discutido nos corredores do Ministério da Saúde e que agora ganha forma jurídica e contornos concretos.
NR/HN/Lusa



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