CPCCRD exige voz das coletividades na remodelação da CASES

31 de Dezembro 2025

A Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto defende que a reestruturação da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social deve incluir formalmente o movimento associativo cultural, recreativo e desportivo

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a CPCCRD posicionou-se publicamente acerca do debate em curso sobre a reorganização da CASES, seguindo a linha do parecer institucional recente da Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local. A confederação reconhece o papel histórico da cooperativa no apoio ao setor, na gestão do voluntariado e na produção de conhecimento estratégico, mas alerta que qualquer alteração ao modelo de governação exige diálogo prévio com as entidades representativas.

“As coletividades são o maior espaço de participação cívica em Portugal. Se a economia social quer representar o país real, tem de incluir quem trabalha diariamente com comunidades, juventude, cultura popular, desporto informal e envelhecimento ativo”, afirmou a Direção Nacional da CPCCRD.

O texto sublinha o papel central das associações e coletividades na coesão social, no combate ao isolamento e na dinamização cultural e desportiva, sobretudo em regiões do interior onde muitas vezes são a única estrutura presente. Estas organizações mobilizam, segundo a confederação, centenas de milhares de voluntários e cidadãos.

A CPCCRD considera, por isso, essencial que o processo de reorganização mantenha a presença do Estado na governação da CASES, em conformidade com a Lei de Bases da Economia Social. Defende ainda a criação de mecanismos formais de participação para o movimento associativo de base cultural, recreativa e desportiva, a preservação do conhecimento técnico e da capacidade instalada da cooperativa, e a promoção de uma visão integrada do setor, evitando fragmentações.

A confederação declarou total disponibilidade para colaborar com o Governo, com a CASES e demais entidades, sustentando que o futuro da economia social deve assentar em diálogo, participação e no reconhecimento do papel insubstituível das coletividades. O comunicado termina com a nota de que Portugal precisa de uma economia social coesa, capaz de intervir no território e valorizar quem mantém viva a vida associativa.

PR/HN/MM

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MGF Cuidados Paliativos; Doutorando em Medicina, Docente de Bioética na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

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