Peso das mães pode explicar aumento “alarmante” de pré-diabetes infantil

31 de Dezembro 2025

Investigação finlandesa revela que metade das crianças com sobrecarga ponderal estudadas num período recente apresentava pré-diabetes, um aumento notável face aos 11% registados duas décadas antes. A subida ocorreu sem alterações na prevalência da obesidade infantil, estando associada a um aumento significativo do peso das mães

Um estudo conduzido pela Universidade de Tampere e pela Universidade da Finlândia Oriental trouxe à luz um dado que preocupa os especialistas: a prevalência de pré-diabetes em crianças finlandesas com excesso de peso ou obesidade disparou nas últimas duas décadas. A investigação, que analisou 602 crianças com idades entre os 6 e os 16 anos avaliadas nos cuidados de saúde primários ou especializados em Tampere entre 2002 e 2020, constatou que a condição passou de 11% no início do período de estudo para impressionantes 50% no triénio 2017-2019.

Curiosamente, este aumento vertiginoso não foi acompanhado por uma subida paralela da obesidade infantil, cuja prevalência se manteve estável ao longo dos anos. O trabalho, que incluiu também um grupo de controlo de 483 crianças retirado do estudo PANIC (Atividade Física e Nutrição em Crianças) da Universidade da Finlândia Oriental, mostrou que 34% das crianças com excesso de peso tinham pré-diabetes e 1% já tinha desenvolvido diabetes tipo 2. No grupo de controlo, apenas 7% tinha pré-diabetes e não foi detetado qualquer caso de diabetes tipo 2.

Os investigadores detetaram uma alteração significativa que poderá ajudar a explicar parte deste fenómeno: o peso das mães. A proporção de mães com excesso de peso aumentou de forma marcada, de 20% para 69%, no mesmo intervalo temporal. “O aumento da prevalência de pré-diabetes sem alterações no peso das crianças pode ser parcialmente explicado por fatores relacionados com a gravidez e o período fetal”, sugere a investigadora e médica Hanna Riekki, da Universidade de Tampere. Ela e os seus colegas não descartam, contudo, que mudanças na composição corporal, na atividade física ou na dieta infantil também possam ter contribuído, sinalizando a necessidade de mais investigação.

O estudo associou ainda a condição de pré-diabetes a crianças mais velhas e em fases mais avançadas da puberdade. A sua presença mostrou-se também ligada a outras comorbilidades, como a doença hepática gordurosa e a acantose nigricans, uma pigmentação escura da pele frequentemente associada à resistência à insulina.

Para os autores, incluindo o Professor Kalle Kurppa e a médica Linnea Aitokari, de Tampere, e o Professor Timo Lakka, diretor do estudo PANIC, os resultados são claramente preocupantes. “Os resultados mostram que mesmo que a prevalência ou o grau de obesidade não se altere, as comorbilidades relacionadas com a obesidade podem ainda assim tornar-se mais comuns”, afirmam. A pré-diabetes eleva o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e de outras doenças cardiometabólicas, como problemas cardiovasculares. Quando estas desordens têm início na infância, a sua progressão tende a ser mais rápida e a causar mais complicações do que quando começam na idade adulta, sublinhando a urgência de um rastreio ativo destas condições em crianças com adiposidade aumentada.

Referência bibliográfica: Riekki, H., Aitokari, L., Saari, A. et al. The prevalence of prediabetes is high and has rapidly increased, independent of the degree of obesity, in Finnish children with overweight or obesity. Int J Obes (2025). https://doi.org/10.1038/s41366-025-01950-y

NR/HN/AlphaGalileo

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