Bolsonaro submete-se a terceira intervenção em quatro dias por crises de soluços

1 de Janeiro 2026

Ex-presidente brasileiro, atualmente detido, vê alta hospitalar adiada após novo procedimento para bloquear nervos do diafragma. Situação clínica decorre de complicações de antigas cirurgias

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi submetido esta quarta-feira a um terceiro ato cirúrgico em apenas quatro dias, uma intervenção de reforço do bloqueio dos nervos frénicos, na tentativa de estancar as persistentes crises de soluços que o afetam. A informação, divulgada pela equipa médica do Hospital DF Star, em Brasília, adia a previsão de alta e consequentemente o seu regresso à custódia penal.

Bolsonaro, que se encontra naquela unidade privada desde 24 de dezembro para corrigir uma hérnia inguinal, opera agora numa espécie de encadeamento clínico imprevisto. A cirurgia inicial, realizada no dia de Natal, decorreu sem percalços. Mas o foco rapidamente se desviou para as contrações involuntárias do diafragma que o atormentam há longos meses, um problema que os médicos associam às múltiplas operações abdominais subsequentes ao ataque com faca que sofreu em 2018.

No sábado, os especialistas procederam a um bloqueio parcial do nervo frénico direito. Na segunda-feira, repetiram a intervenção no lado esquerdo. A trégua, no entanto, mostrou-se efémera. Já na manhã de hoje, conforme relatou o filho Carlos Bolsonaro, os soluços reapareceram com força. Michelle Bolsonaro detalhou que as crises se prolongaram pela tarde, levando a equipa a optar por este novo procedimento de reforço. O último boletim clínico refere que o paciente se mantém em “cuidados pós-operatórios”.

O plano terapêutico, que parecia encaminhar-se para uma possível alta na quinta-feira, viu-se assim sustado. Para além dos bloqueios, está prevista para quarta-feira uma endoscopia de avaliação ao refluxo gastroesofágico. Bolsonaro continua a receber fisioterapia respiratória, tratamento noturno para apneia do sono e medicação preventiva contra trombose. Cada um destes elementos compõe um quadro complexo que os advogados do ex-presidente têm usado para fundamentar pedidos de prisão domiciliária, invocando razões humanitárias. Até agora, o Supremo Tribunal Federal tem mantido a rejeição a tais recursos.

A condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão, pelo crime de tentativa de golpe de Estado, data de 11 de setembro. Desde finais de novembro, cumpre pena nas instalações da Polícia Federal em Brasília. A sua permanência no hospital, autorizada judicialmente apenas para a cirurgia inicial da hérnia, estende-se agora num imprevisível capítulo médico, com implicações diretas no calendário penal. A situação arrasta um clima de expectativa, enquanto os médicos tentam dominar um sintoma aparentemente banal mas que se tornou, neste caso, uma teimosa complicação.

NR/HN/Lusa

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MGF Cuidados Paliativos; Doutorando em Medicina, Docente de Bioética na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

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