Gestão em Suspenso: Futuro de Dez Hospitais do SNS Aguarda Nomeações

1 de Janeiro 2026

Terminaram ontem, 31 de dezembro, os mandatos dos conselhos de administração de dez unidades locais de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS), incluindo a de São José, em Lisboa, confirmou à Lusa a direção executiva do sistema de saúde

A informação foi prestada pela direção executiva do SNS, que especificou as unidades envolvidas: ULS do Nordeste (Bragança), Trás-os-Montes e Alto Douro (Vila Real), S. João e Sto António (Porto), Matosinhos, Coimbra, Médio Tejo (Abrantes), S. José (Lisboa), Litoral Alentejano (Santiago do Cacém) e Baixo Alentejo (Beja). A mesma fonte limitou-se a assinalar que os membros da administração da ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro foram já designados em Conselho de Ministros a 11 de dezembro, evitando comentar “nomeações que ainda não aconteceram” para as outras estruturas.

O cenário de mudança política tem alimentado rumores sobre o futuro dos atuais gestores. Notícias do Observador sugerem que o Governo prepara o afastamento da administração da ULS de São José, com a intenção de colocar um militante do PSD no cargo, uma situação que, segundo o mesmo diário, se deverá repetir na ULS de Coimbra.

Internamente, o ambiente é de despedida. Rosa Valente Matos, a administradora da ULS de São José e membro do Secretariado Nacional do PS, endereçou uma mensagem aos funcionários onde confirmou a saída. “Aproximando-se o termo do nosso mandato, reunimos recentemente com a senhora ministra da Saúde, tendo sido informados que este órgão colegial não continuará em funções”, escreveu. A gestora, que acumula seis anos à frente da unidade, não escondeu um misto de satisfação pelo trabalho feito e um certo pesar pela partida. “Encerramos este ciclo com um claro sentido de dever cumprido”, afirmou, salientando o orgulho por integrar “para sempre parte da história de uma instituição que faz a diferença”.

Contactada pelo Observador, Rosa Valente Matos foi mais contundente, revelando que não lhe foi apresentada qualquer justificação substantiva para o fim das suas funções. A decisão, nas suas palavras, resumiu-se a “uma vontade do Governo e da direção executiva do SNS”. A declaração põe a nu o nervosismo e as incertezas que marcam esta fase de transição à espera dos anúncios oficiais, que definirão o novo mapa de lideranças em hospitais-chave do país.

NR/HN/Lusa

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Abel García Abejas, Médico
MGF Cuidados Paliativos; Doutorando em Medicina, Docente de Bioética na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

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