Governo exonera administração da ULS de São José sem consultar município de Loures

1 de Janeiro 2026

A Câmara Municipal de Loures manifesta desconforto por ter sido excluída do processo que levou à exoneração da equipa de gestão da Unidade Local de Saúde de São José, cuja jurisdição abrange a parte oriental do concelho

A Câmara Municipal de Loures manifesta desconforto por ter sido excluída do processo que levou à exoneração da equipa de gestão da Unidade Local de Saúde de São José, cuja jurisdição abrange a parte oriental do concelho.

O executivo municipal, presidido por Ricardo Leão, tomou conhecimento da mudança apenas através de notícias na imprensa, facto que classifica como um desrespeito pelos mecanismos de cooperação institucional. Num comunicado divulgado esta tarde, a autarquia deixou um voto de reconhecimento público à presidente do conselho de administração exonerada, Rosa Matos, e à sua equipa. O texto enfatiza a “relação institucional de grande proximidade” mantida com aqueles gestores, laços que terão facilitado a cooperação em benefício dos utentes.

A base do mal-estar prende-se com uma aparente falha de articulação. A legislação que rege o setor, segundo a interpretação do município, não só atribui às câmaras a gestão dos equipamentos de saúde dos centros de saúde, como lhes confere o direito de indicar um membro para os conselhos de administração das ULS. A decisão do Ministério da Saúde, capitaneado por Ana Paula Martins, terá sido tomada sem qualquer consulta prévia a Loures, ignorando este enquadramento legal. O comunicado, com um tom mais formal do que é habitual, sugere que a mudança na administração da ULS pode colocar em risco a estabilidade da prestação de cuidados, tanto nos centros de saúde como no Hospital de São José, unidade de agudos que serve a região.

A autarquia reafirma, por fim, a necessidade de se respeitar o papel dos municípios na intervenção do Serviço Nacional de Saúde, sobretudo em matérias com impacto direto nas respostas dadas às populações. O caso expõe uma fissura na relação entre o poder central e o local, numa área tão sensível como a saúde pública, e deixa no ar a interrogação sobre quem será o próximo rosto da gestão da ULS de São José e como se fará a transição.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Centro de Saúde das Lajes do Pico com projeto entregue até junho

O projeto de construção do novo Centro de Saúde das Lajes do Pico deverá estar concluído até ao final do primeiro semestre deste ano, revelou hoje o deputado Carlos Freitas (PSD) na Assembleia Legislativa dos Açores, no arranque das jornadas parlamentares do partido na ilha do Pico

Alenquer declara guerra ao encerramento das urgências de obstetrícia

A Câmara Municipal de Alenquer aprovou hoje um voto de repúdio contra o encerramento da urgência obstétrica do Hospital de Vila Franca de Xira, marcado para a próxima segunda-feira, exigindo a reversão imediata da decisão que afeta uma população superior a 250 mil habitantes

Época das chuvas já matou 270 pessoas em Moçambique desde outubro

A época das chuvas em Moçambique já matou 270 pessoas desde outubro, com quase 870 mil afetadas. Os dados foram atualizados hoje pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que regista ainda mais de 10 mil casas destruídas e perto de 400 mil hectares de culturas perdidos

Tabaco aquecido divide ciência enquanto Suécia adopta redução de riscos

A adopção de políticas de substituição do tabaco de combustão por alternativas como o tabaco aquecido ganha terreno na Europa, mas a evidência científica sobre os benefícios para a saúde pública está longe de ser consensual. Em Dezembro de 2024, o parlamento sueco formalizou uma estratégia de redução de danos, tornando-se o primeiro país a inscrever na lei o princípio de que os produtos sem combustão, incluindo o tabaco aquecido, representam um risco inferior ao dos cigarros convencionais. A decisão baseia-se em dados de saúde pública que apontam para uma incidência de cancro 41% inferior à média europeia e para uma mortalidade atribuível ao tabaco 44% mais baixa. Mas enquanto a Suécia, o Japão ou a Nova Zelândia avançam com modelos permissivos, organizações independentes de saúde questionam a solidez dos estudos que sustentam essas políticas .

A dignidade invisível de quem cuida

Abel García Abejas, Médico
MGF Cuidados Paliativos; Doutorando em Medicina, Docente de Bioética na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

Cem anos de medicina no feminino celebrados em Coimbra

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos promove no dia 12 de março, pelas 18h30, uma tertúlia e inauguração de exposição que assinalam o centenário da presença feminina na medicina em Portugal, num evento híbrido com transmissão online a partir da Sala Miguel Torga, em Coimbra

“Epidemia silenciosa”: distúrbios do sono afetam 800 mil crianças em Portugal

No Dia Mundial do Sono, assinalado esta sexta-feira, dados revelam que cerca de 30% das crianças portuguesas enfrentam dificuldades para dormir, estimando-se que 40% apresentem distúrbios associados a hábitos precocemente consolidados. A coordenadora da Pós-graduação em Sono da Criança, Adolescente e Família, Joana Marques, classifica a situação como um problema de saúde pública negligenciado, com impacto direto na aprendizagem, memória e atenção dos mais novos. “O sono infantil não é um detalhe de rotina, é um pilar essencial para o desenvolvimento neurocognitivo e emocional”, sublinha, acrescentando que dormir mal pode potenciar obesidade, diabetes e alterações de comportamento. A privação de sono afeta também a saúde mental dos pais, limitando a capacidade de resposta ao stresse

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights