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O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos declarou uma greve nacional no setor da saúde, com início marcado para quinta-feira e duração prevista para todo o ano de 2026.
A paralisação, cujo pré-aviso foi formalizado na terça-feira, envolve todos os profissionais de saúde, sem distinção de vínculo ou carreira. Médicos, enfermeiros, técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, técnicos auxiliares de saúde, assistentes operacionais e demais categorias estão convocados para uma interrupção prolongada, que incidirá especialmente sobre horas extraordinárias e sobre cirurgias adicionais no âmbito do SIGIC.
Em declarações, o secretário coordenador do sindicato, António Moreira, justificou a medida extrema com o incumprimento governamental relativamente a um conjunto de reivindicações antigas. A lista de exigências inclui a reposição dos pontos do SIADAP retirados, essenciais para a progressão na carreira, e a regularização das avaliações de desempenho.
Outros pontos referidos são o reconhecimento da carreira de Técnico Auxiliar de Saúde como profissão de desgaste rápido, o fim do que classifica como uso abusivo de turnos suplementares e jornadas de 16 horas consecutivas, além da contratação de mais pessoal e da aplicação do subsídio de risco às carreiras de Técnico Auxiliar de Saúde e Enfermagem.
“O Serviço Nacional de Saúde vive um colapso silencioso”, afirmou António Moreira, sublinhando o cansaço e a precariedade que afetam os profissionais. “Entregámos um aviso de greve válido para todo o 2026, o que significa que qualquer dia pode ser dia de paralisação se o Governo continuar a ignorar quem garante os cuidados de saúde.”
O sindicato assegurou que os serviços mínimos serão mantidos em unidades de funcionamento ininterrupto, assegurados por trabalhadores que não exerçam o direito à greve. A decisão surge num contexto de crescente tensão laboral no setor, marcado por sucessivos alertas sobre escassez de recursos humanos e sobrecarga dos que permanecem em funções.
A greve, com duração inédita de um ano, poderá provocar alterações significativas no agendamento de consultas e intervenções cirúrgicas, com impacto direto na população. O comunicado do sindicato não especifica, contudo, pormenores sobre a calendarização das paralisações, deixando em aberto a possibilidade de ações pontuais ao longo dos próximos doze meses.
NR/HN/Lusa



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