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O Hospital de São João, no Porto, integrou esta semana um segundo robot cirúrgico no seu parque tecnológico, um equipamento que rondou os 2,3 milhões de euros e que foi financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência. A expectativa da direção clínica é que, com os dois sistemas em funcionamento, a unidade possa realizar perto de 1700 procedimentos robóticos já em 2026. Cerca de 700 intervenções serão feitas com esta nova aquisição, enquanto o primeiro robot, comprado com verbas próprias em 2023, deverá assegurar mil cirurgias.
A verdade é que a atividade cirúrgica naquela instituição não tem parado de crescer, e a aposta nesta tecnologia surge como um passo considerado imprescindível para acompanhar a diferenciação de cuidados que caracteriza o São João. O primeiro robot já permitiu realizar aproximadamente 950 operações, com foco particular em patologias oncológicas urológicas, esófago-gástricas, colo-rectais e ginecológicas. Agora, com o segundo sistema, o leque de especialidades abrangidas deverá alargar-se significativamente. Falamos de áreas como a cirurgia torácica, cardíaca, da obesidade, pediátrica e senologia, o que representa uma mudança de paradigma na resposta hospitalar.
A administração da ULSSJ sublinha que a cirurgia minimamente invasiva assistida por robot traz vantagens mensuráveis, tanto para os cirurgiões como para os doentes. Do lado dos profissionais, há um conforto ergonómico maior, uma precisão aumentada nos movimentos e a neutralização do tremor fisiológico, fatores que, no conjunto, podem influenciar positivamente o desfecho das intervenções. A plataforma oferece uma imagem tridimensional de alta definição e instrumentos de grande flexibilidade, o que facilita o acesso a zonas anatómicas particularmente complexas.
Para os pacientes, os benefícios descritos passam por uma recuperação pós-operatória mais rápida, menos dor, redução do risco de hemorragias e uma menor probabilidade de necessitar de transfusões sanguíneas. Há ainda a perspetiva de estadias hospitalares mais curtas e um decréscimo na necessidade de reintervenções. No caso concreto da cirurgia oncológica, a instituição refere que a tecnologia permite uma excisão mais radical do tecido tumoral, o que pode ter um impacto direto na sobrevida.
O São João, sendo um centro de referência nacional no tratamento do cancro, vê nesta dupla capacidade robótica não só um motor de modernização, mas também uma alavanca para a formação de novas gerações de cirurgiões. A ideia é que a experiência acumulada e a diferenciação técnica possam ser transmitidas, qualificando a resposta cirúrgica a nível nacional. O investimento insere-se, assim, numa estratégia mais ampla de renovação tecnológica, com o objetivo declarado de elevar os padrões de qualidade, segurança e eficiência dos cuidados prestados.
Num resumo enviado à Lusa, a ULSSJ não esconde que o crescimento da cirurgia robótica no seu seio visa ainda minimizar o risco de erro inerente a qualquer acto cirúrgico. E apesar de o tom ser predominantemente técnico, percebe-se uma certa satisfação institucional por conseguir manter o ritmo de inovação num setor que exige atualização constante. O caminho, afirmam, está traçado para consolidar uma dinâmica que já vinha a ser construída. Mais informações sobre o projeto e a sua implementação podem ser consultadas nos canais oficiais da unidade de saúde.
NR/HN/Lusa



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