Investigadoras da ESEUC desenvolvem caneta que monitoriza glicemia e coagulação com acessibilidade inclusiva

1 de Janeiro 2026

Uma caneta que avalia a glicemia e a coagulação sanguínea, com inscrições em braille para acesso de pessoas invisuais, e um fato que simula o envelhecimento de forma progressiva são os projetos vencedores de um concurso promovido pela Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra

Um dispositivo médico em forma de caneta, designado “Pen2Scan”, que permite a colheita e análise simultânea de glicemia e coagulação sanguínea, está a ser desenvolvido na Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra. A inovação, pensada para doentes e instituições de saúde, integra tecnologia de vácuo para reduzir o desconforto e inclui inscrições em braille.

A ideia partiu de três recém-licenciadas em Enfermagem — Ana Monteiro, Núria Mena e Salomé Galvão — em colaboração com a bolseira de investigação Inês Almeida. O projeto venceu a 2.ª edição do Concurso de Projetos de Ignição e Provas de Conceito da ESEUC, enquadrado no programa de transferência de tecnologia INOVC+.

Ana Monteiro detalha que o aparelho multifunções “reduz a dor, assegura a quantidade adequada de sangue e diminui erros e repetições do procedimento”. O seu funcionamento é descrito como simples, sendo complementado por uma aplicação móvel que regista automaticamente resultados, histórico clínico, data e hora. A aplicação utiliza códigos de cor para interpretação dos valores e permite o contacto com profissionais de saúde.

“A caneta inovadora incluirá inscrições em braille, garantindo acessibilidade a utilizadores invisuais”, sublinha a promotora. O prémio atribuído, no valor de aproximadamente 2 800 euros, destina-se a elevar o nível de maturidade tecnológica do projeto, atualmente no patamar 2. Os fundos serão aplicados até julho de 2026 num plano experimental que inclui o desenvolvimento de um protótipo funcional, testes preliminares, ajustes técnicos e validação experimental.

Paralelamente, foi distinguido no mesmo concurso o projeto “SENESUIT: Fato de Simulação Biomecânica e Neurofisiológica do Envelhecimento Senescente”. Concebido por cinco docentes e investigadores da ESEUC — Alberto Barata, Isabel Gil, Paulo Costa (promotor principal), Maria de Lurdes Almeida e Pedro Parreira —, o fato visa simular de forma graduável e mensurável as limitações funcionais do envelhecimento, aproximando-se de padrões fisiológicos reais.

Paulo Costa explica que o sistema integrará componentes pneumáticos de rigidez variável, sensores e módulos de estimulação neuromuscular, coordenados por software próprio. “Pretende-se que o ‘SENESUIT’ ajude o utilizador a compreender como a acumulação gradual de alterações biomecânicas e neuromusculares condiciona a mobilidade, a segurança e a autonomia da pessoa mais velha”, afirma. O fato dirige-se prioritariamente à formação de estudantes e profissionais de saúde e sociais, mas poderá também ser usado em programas de capacitação de cuidadores informais.

O apoio financeiro a este projeto ronda os 3 200 euros, a desembolsar até julho de 2026 para o desenvolvimento de um protótipo semifuncional. Este passo é considerado essencial para a transição do conceito para uma demonstração funcional controlada, pavimentando o caminho para validação técnica e desenvolvimento futuro.

O INOVC+, projeto considerado estratégico para a região Centro, envolve 23 entidades parceiras e é liderado pela Universidade de Coimbra. A sua quarta edição, com duração de dois anos e meio, conta com um investimento de 4,1 milhões de euros, cofinanciado a 85% pelo Centro 2030, Portugal 2030 e pela União Europeia.

PR/HN/MM

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