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Num registo caseiro, gravado provavelmente num dos gabinetes da sede social-democrata, Luís Montenegro endereçou aos portugueses, e em particular aos militantes do PSD, uma mensagem de Ano Novo onde desenhou o horizonte temporal do seu Executivo. O primeiro-ministro afastou, de forma clara, a possibilidade de eleições legislativas antecipadas, referindo que o país terá agora “um período de cerca de três anos e meio sem eleições nacionais”. Um intervalo que, na sua lógica, deve ser integralmente dedicado à execução do programa de Governo.
“É tempo de nos concentrarmos em cumprir o nosso programa de reforma e transformação de Portugal”, declarou, com o tom sereno que habitualmente adopta nestas aparições. A meta, ambiciosa, passa por operar mudanças profundas em áreas clássicas e sensíveis: a saúde, a educação, a habitação e os transportes. Sem apresentar pormenores concretos sobre como tais transformações se materializarão, Montenegro frisou a necessidade de agir “com coragem, com capacidade de iniciativa política, com capacidade também de diálogo, com humildade democrática” – um reconhecimento tácito da realidade parlamentar, onde o Governo PSD/CDS-PP não detém maioria absoluta.
A projecção do país no mundo e a protecção do património natural integraram também o rol de prioridades enunciadas, num leque alargado que espelha a ambição do mandato. Curiosamente, numa digressão metafórica que tem vindo a tornar-se uma assinatura nos seus discursos, o líder do PSD voltou a invocar a figura do futebolista Cristiano Ronaldo, apelando à corporização de “aquela mentalidade” de trabalho sobre o talento e de elevação do esforço para alcançar “novas conquistas”. Uma referência populista que busca eco num imaginário colectivo.
Antes de focar o futuro, porém, houve tempo para olhar para trás e para o lado. Montenegro fez um “balanço muito positivo” de 2025, ano em que o PSD venceu as legislativas de maio e as autárquicas de outubro. E, olhando para a eleição presidencial de 18 de janeiro, reiterou o apoio “convicto” ao candidato apoiado pelo partido, Luís Marques Mendes, que considerou “o mais bem preparado para o exercício da função presidencial”. Foi rápido, no entanto, em ressalvar que “não são eleições partidárias”, num gesto típico de quem quer manter as águas separadas.
No campo socioeconómico, as promessas foram as que têm pontuado a retórica governativa: assegurar mais rendimento aos trabalhadores pelo seu esforço e garantir a sustentabilidade e valorização das pensões, sem “deixar ninguém sem meios para ter uma vida digna e uma vida feliz”. Uma linguagem que tenta equilibrar o rigor orçamental com um manto protector.
Para cumprir este desígnio, Montenegro apelou ao seu próprio partido, exigindo-lhe “coragem” e “sentido de responsabilidade” para gerir os destinos do país. Invocou, num tom quase emotivo, a memória dos fundadores, nomeando Francisco Sá Carneiro e o recentemente falecido Francisco Pinto Balsemão, figuras históricas que, na sua perspectiva, enobreceram o PSD.
A mensagem, divulgada nas redes sociais do partido, encerrou com um directo apelo à militância: “Conto convosco, um excelente ano de 2026. Vamos ao trabalho”. Um remate que soou a ordem de marcha para um ciclo longo, que o primeiro-ministro quer estável e dedicado exclusivamente à governação.
NR/HN/Lusa



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