Portal do SNS exibe tempos de espera irreais no Amadora-Sintra

2 de Janeiro 2026

A unidade hospitalar assegura que os valores exibidos na plataforma oficial estão incorretos devido a problemas técnicos, mas garante que a situação clínica dos pacientes não está comprometida

O Hospital Amadora-Sintra, formalmente Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra, veio a público, desmentir a precisão dos tempos médios de espera nas suas urgências que estão a ser apresentados no portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Num comunicado divulgado ainda durante a manhã, a administração do hospital, sediado no concelho da Amadora, explicou que a origem do problema reside em “constrangimentos relacionados com os sistemas de informação”. A nota procurou acalmar eventuais apreensões, frisando que esta falha, que afeta apenas a atualização dos dados no website, não tem qualquer impacto na “atividade assistencial nem na segurança dos doentes”.

A questão ganhou visibilidade após uma consulta aos indicadores em tempo real disponíveis no Portal do SNS. Pelas 11:50 de hoje, os números ali exibidos para o Hospital Amadora-Sintra, também conhecido como Hospital Fernando Fonseca, eram particularmente alarmantes: enquanto um doente classificado como muito urgente não registava espera, um paciente com pulseira urgente — laranja — enfrentaria alegadamente um tempo médio de espera até primeira observação médica de 18 horas e 27 minutos. Um valor que, segundo os padrões de triagem em vigor, é manifestamente incompatível com a prática clínica, dado que os casos urgentes deveriam ser atendidos no prazo máximo de 60 minutos. A direção do hospital foi perentória em classificar essa informação como incorreta.

O problema técnico, que a administração assegura estar “a ser acompanhado e encontra-se em fase de resolução”, gera um ruído significativo na leitura da pressão sobre as urgências da Área Metropolitana de Lisboa. Numa comparação momentânea feita pela plataforma ministerial esta manhã, a situação no Hospital de Santa Maria, por exemplo, era descrita como “muito crítica”. Contudo, ao meio-dia, os dados desse centro indicavam que não havia doentes muito urgentes à espera e que os 12 pacientes urgentes presentes aguardavam, em média, uma hora e 49 minutos.

Estes episódios de inconsistência nos dados públicos reacendem o debate sobre a fiabilidade dos sistemas de informação em saúde, que são um pilar para a gestão das unidades e para a orientação dos cidadãos. Enquanto a resolução técnica não avança, as autoridades de saúde mantêm o apelo habitual para que a população utilize o serviço de triagem telefónica SNS24 (808 24 24 24) antes de se deslocar a um serviço de urgência hospitalar, de modo a descongestionar estes serviços e a receber a orientação mais adequada ao seu estado de saúde.

NR/HN/Lusa

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