Um balanço trágico que ainda não é definitivo: cidadãos de 16 nacionalidades entre os 114 feridos identificados em Crans-Montana

3 de Janeiro 2026

As autoridades suíças revelaram as nacionalidades de 114 dos 119 feridos no incêndio de Crans-Montana. A lista inclui cidadãos de 16 países. Uma portuguesa está entre os feridos e outra está desaparecida

A polícia suíça identificou a nacionalidade de 114 das 119 pessoas feridas no incêndio do bar de Crans-Montana. A lista, provisória e ainda incompleta, abrange cidadãos de pelo menos 16 países, segundo os dados mais recentes divulgados pelas autoridades do cantão de Valais. O número de mortos mantém-se em 40, mas as autoridades admitem que pode subir.

Entre os feridos cuja nacionalidade já foi apurada, a maioria é francesa, italiana e sérvia, com 14, 11 e quatro cidadãos, respetivamente. Outros países com vítimas incluem Espanha, Alemanha, Reino Unido, Israel e Estados Unidos da América. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou à Lusa a presença de uma mulher portuguesa entre os feridos, cujo estado de saúde se desconhece para já. Há ainda uma outra cidadã portuguesa dada como desaparecida, situação que as autoridades locais estão a tentar esclarecer face às listas de vítimas.

O esforço de assistência médica assumiu uma dimensão internacional. Cerca de 50 feridos com queimaduras graves já foram ou vão ser transferidos para unidades especializadas em vários países europeus. A França destacou uma equipa médica militar para o local, composta por um cirurgião plástico, um anestesista e outros especialistas, para avaliar a possibilidade de evacuar mais doentes. Até quinta-feira à noite, hospitais franceses em Lyon, Metz, Nantes e Paris já tinham recebido 11 pessoas, entre as quais três suíços. A Bélgica acolheu quatro dos feridos.

No decurso da investigação, a procuradora do cantão de Valais, Béatrice Pilloud, adiantou que os dois gerentes franceses do estabelecimento, denominado “Le Cœur”, já foram ouvidos. As primeiras averiguações apontam para que as chamas tenham tido origem em “velas incandescentes ou fogos de artifício colocados em garrafas de champanhe”, muito próximos do teto do bar, o que terá desencadeado uma combustão “muito rápida e generalizada”. O trabalho das autoridades judiciárias prossegue para apurar com exatidão a cadeia de eventos e possíveis responsabilidades.

A operação de resgate e identificação, complexa devido à violência do fogo, continua no terreno. As equipas mantêm um trabalho minucioso no interior do edifício totalmente carbonizado. O governo cantonal criou um centro de apoio psicológico para as famílias das vítimas e sobreviventes, muitos dos quais perderam tudo no incêndio. A estação de esqui, uma das mais prestigiadas dos Alpes suíços, mantém-se sob um clima de choque e luto, com várias cerimónias espontâneas de homenagem às vítimas a surgirem nas redondezas.

A atualização sobre as nacionalidades pode ser consultada no site da polícia do Valais: https://www.vs.ch. O comunicado do Governo francês sobre o envio da equipa médica está disponível em: https://www.gouvernement.fr.

NR/HN/Lusa

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