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A passagem da depressão Francis pela Madeira entre o último dia de 2025 e os primeiros de 2026 ficou marcada por ventos que atingiram os 117 km/h na Ponta de S. Jorge e por uma precipitação intensa, com o Pico do Areeiro a registar 330,8 milímetros acumulados. O balanço operacional do Serviço Regional de Proteção Civil, IP-RAM, contabilizou 112 ocorrências diretamente relacionadas com o mau tempo, que mobilizaram 263 operacionais e 121 meios técnicos de diversas entidades.
Os dados, divulgados pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera e compilados pelas autoridades regionais, mostram que o temporal se fez sentir com particular vigor no dia 3 de janeiro, com rajadas máximas a baterem nos 117 km/h na Ponta de S. Jorge, 109 km/h no Caniçal e 94 km/h tanto nos Prazeres como no Pico Alto. No Funchal, os ventos não ultrapassaram os 71 km/h. Já a precipitação concentrou-se sobretudo no primeiro dia do ano, com o Pico do Areeiro a receber 229,3 mm em apenas 24 horas. Valores significativos foram também medidos em Chão do Areeiro (290,6 mm), S. Vicente (158 mm) e Prazeres (113,1 mm).
Face à previsão, o Centro de Coordenação Operacional Regional determinou a elevação para o Estado de Prontidão Especial a 29 de dezembro, permitindo um reforço antecipado de meios. Durante o período mais crítico, estiveram no terreno 381 operacionais em permanência, num dispositivo que envolveu o Comando Regional de Operações de Socorro, os Corpos de Bombeiros, o Corpo de Policia Florestal, a Autoridade Marítima, a Administração dos Portos (APRAM), o SANAS, o Serviço de Emergência Médica Regional (SEMER), as Brigadas Heiltransportadas do SRPC e a Unidade de Emergência e Proteção e Socorro da Guarda Nacional Republicana. A estes juntaram-se os serviços municipais de proteção civil, juntas de freguesia, a Direção Regional de Estradas, concessionárias de vias e empresas como a Altice/MEO, NOS e a Empresa de Eletricidade da Madeira para trabalhos de reposição da normalidade.
A articulação foi permanente, garante o SRPC, IP-RAM, com briefings regulares com o IPMA para ajustar medidas proporcionalmente ao risco. As ocorrências distribuíram-se por quase todos os concelhos, com o Funchal, Machico e Santa Cruz a liderarem em número (28, 19 e 19, respetivamente). Porto Santo não registou qualquer incidente. Quanto à tipologia, os movimentos de massa (31) e as quedas de árvores (35) foram os eventos mais comuns, seguidos por desobstruções de via/sinalização de perigo (12) e quedas de elementos de construção (7). Houve ainda algumas inundações e desabamentos.
Todas as situações foram resolvidas a nível municipal, realçando-se o desempenho dos serviços municipais e agentes de proteção civil locais na antecipação e resposta. Os condicionamentos preventivos impostos em vias historicamente vulneráveis, em articulação com a Autoridade Marítima, APRAM, IFCN, Direção Regional de Estradas e municípios, estão a ser levantados gradualmente, consoante avaliação caso a caso.
O Serviço Regional de Proteção Civil deixou um agradecimento à população pela colaboração “imprescindível” na adoção de medidas preventivas e de autoproteção e pelo cumprimento das orientações das autoridades. Reconheceu igualmente o papel dos órgãos de comunicação social na amplificação dos avisos e recomendações. Apesar da melhoria das condições meteorológicas, as autoridades alertam para a necessidade de manter cuidados especiais em zonas que possam ter ficado mais vulneráveis, como perto de árvores, edifícios degradados ou vertentes instáveis, uma vez que prosseguem operações de reposição da normalidade.
NR/HN/Lusa



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