Rio defende Gouveia e Melo como único candidato presidencial “livre de amarras” partidárias

4 de Janeiro 2026

O ex-líder do PSD Rui Rio afirmou que apenas o almirante Henrique Gouveia e Melo está acima dos interesses partidários e setoriais, num comício de arranque de campanha em Lisboa

No arranque solene da campanha para as eleições presidenciais, num pavilhão no Bairro da Boavista em Lisboa, as críticas ao panorama político dominaram o discurso de Rui Rio. O ex-presidente do PSD, atuando como mandatário nacional da candidatura de Henrique Gouveia e Melo, não poupou nas palavras para desenhar uma clara separação entre o almirante e os restantes aspirantes a Belém. A sua tese central é que todos os outros são, de uma forma ou de outra, candidatos oficiais de partidos, ao passo que Gouveia e Melo surge como a única figura verdadeiramente descomprometida.

“Precisamos dos partidos no parlamento, na vida quotidiana e nas autarquias, mas na Presidência da República precisamos de alguém que não tenha amarras a interesses partidários, nem amarras a interesses individuais ou setoriais”, declarou Rio perante os apoiantes. A vantagem do antigo chefe do Estado-Maior da Armada, na sua ótica, reside precisamente nessa liberdade. “Não devendo nada a ninguém tem as condições para ir para a Presidência da República com essa total independência e com essa frontalidade”, acrescentou, pintando um retrato de genuinidade e transparência que atribui ao militar.

O diagnóstico de Rio para o descontentamento que sente na sociedade não se fica pela superfície. Evitou, contudo, uma condenação geral da democracia, num claro ataque indireto ao discurso do Chega e de André Ventura. “Diz que nos últimos 50 anos andou tudo a gamar e que são todos corruptos, são todos bandidos. Ora, isto não é minimamente aceitável”, disparou, numa defesa inesperada de figuras históricas de vários quadrantes, incluindo Álvaro Cunhal, de quem disse ter discordado profundamente.

Para o ex-autarca do Porto, o mal-estar radica sobretudo nos últimos 25 anos, num período marcado por crescimentos económicos medíocres e degradação de serviços públicos. “Na base, está um problema de facilitismo. Os políticos vão para o facilitismo para conquistar votos. A classe política não tem tido coragem nem força para afrontar interesses instalados”, especificou, sem nomear casos concretos. A solução, defendeu, não passa nem pelo populismo, que classifica como algo sem solução e puramente emocional, nem por “mais do mesmo”.

A sessão contou também com o testemunho de Carlos Carreiras, outro ex-presidente da Câmara municipal, desta feita de Cascais e também do PSD. A sua adesão à candidatura, confessou, começou de forma emocional durante o processo de vacinação contra a covid-19, que Gouveia e Melo coordenou. “Mas, hoje, é também racional”, assegurou, elogiando a capacidade de liderança e mobilização do almirante, que considera ter salvado “muitas vidas” na pandemia. Portugal precisa, na sua visão, de um Presidente inspirador, capaz de convocar os vários saberes da sociedade.

Já a abrir o almoço-comício, a mandatária para a juventude, Júlia Araújo, tentou passar uma imagem suprapartidária do apoio ao candidato. “Estão aqui jovens unidos em defesa de uma liderança pelo exemplo, de exigência e não em torno de ideologia”, disse, licenciada em economia, defendendo a necessidade de “líderes com provas dadas” e não de “discursos fáceis”. Gouveia e Melo, na sua opinião, é a personificação dessa mudança, mobilizando pelo exemplo concreto e não por promessas.

NR/HN/Lusa

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