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No arranque solene da campanha para as eleições presidenciais, num pavilhão no Bairro da Boavista em Lisboa, as críticas ao panorama político dominaram o discurso de Rui Rio. O ex-presidente do PSD, atuando como mandatário nacional da candidatura de Henrique Gouveia e Melo, não poupou nas palavras para desenhar uma clara separação entre o almirante e os restantes aspirantes a Belém. A sua tese central é que todos os outros são, de uma forma ou de outra, candidatos oficiais de partidos, ao passo que Gouveia e Melo surge como a única figura verdadeiramente descomprometida.
“Precisamos dos partidos no parlamento, na vida quotidiana e nas autarquias, mas na Presidência da República precisamos de alguém que não tenha amarras a interesses partidários, nem amarras a interesses individuais ou setoriais”, declarou Rio perante os apoiantes. A vantagem do antigo chefe do Estado-Maior da Armada, na sua ótica, reside precisamente nessa liberdade. “Não devendo nada a ninguém tem as condições para ir para a Presidência da República com essa total independência e com essa frontalidade”, acrescentou, pintando um retrato de genuinidade e transparência que atribui ao militar.
O diagnóstico de Rio para o descontentamento que sente na sociedade não se fica pela superfície. Evitou, contudo, uma condenação geral da democracia, num claro ataque indireto ao discurso do Chega e de André Ventura. “Diz que nos últimos 50 anos andou tudo a gamar e que são todos corruptos, são todos bandidos. Ora, isto não é minimamente aceitável”, disparou, numa defesa inesperada de figuras históricas de vários quadrantes, incluindo Álvaro Cunhal, de quem disse ter discordado profundamente.
Para o ex-autarca do Porto, o mal-estar radica sobretudo nos últimos 25 anos, num período marcado por crescimentos económicos medíocres e degradação de serviços públicos. “Na base, está um problema de facilitismo. Os políticos vão para o facilitismo para conquistar votos. A classe política não tem tido coragem nem força para afrontar interesses instalados”, especificou, sem nomear casos concretos. A solução, defendeu, não passa nem pelo populismo, que classifica como algo sem solução e puramente emocional, nem por “mais do mesmo”.
A sessão contou também com o testemunho de Carlos Carreiras, outro ex-presidente da Câmara municipal, desta feita de Cascais e também do PSD. A sua adesão à candidatura, confessou, começou de forma emocional durante o processo de vacinação contra a covid-19, que Gouveia e Melo coordenou. “Mas, hoje, é também racional”, assegurou, elogiando a capacidade de liderança e mobilização do almirante, que considera ter salvado “muitas vidas” na pandemia. Portugal precisa, na sua visão, de um Presidente inspirador, capaz de convocar os vários saberes da sociedade.
Já a abrir o almoço-comício, a mandatária para a juventude, Júlia Araújo, tentou passar uma imagem suprapartidária do apoio ao candidato. “Estão aqui jovens unidos em defesa de uma liderança pelo exemplo, de exigência e não em torno de ideologia”, disse, licenciada em economia, defendendo a necessidade de “líderes com provas dadas” e não de “discursos fáceis”. Gouveia e Melo, na sua opinião, é a personificação dessa mudança, mobilizando pelo exemplo concreto e não por promessas.
NR/HN/Lusa



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