Açores recebem 71 novos médicos para internato em ano de reforço formativo

5 de Janeiro 2026

Setenta e um médicos começam em janeiro a formação geral e específica no arquipélago, num esforço para consolidar o Serviço Regional de Saúde e atrair profissionais

A cerimónia de boas-vindas foi discreta, mas o número falou por si. Setenta e um médicos internos pisaram, ou vão pisar durante este mês, os corredores das unidades de saúde dos Açores. Não é um recorde, mas antes um passo considerado firme na estratégia do Governo Regional para fixar quadros. A informação foi avançada esta segunda-feira pela Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social, que detalhou a distribuição dos profissionais.

Do total, quarenta ficaram destinados ao ano comum de formação geral, espalhando-se pelos hospitais de São Miguel, Terceira e Faial, com rotações também pelas respetivas Unidades de Saúde de Ilha. Já na formação específica, trinta e um médicos iniciarão a especialidade na região. O Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, absorve a maior fatia, com dezassete colocados. Segue-se a Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel com dez, o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira com dois, e a Unidade de Saúde da mesma ilha também com dois internos.

Há, contudo, uma novidade que a tutela não quis deixar passar em branco. Pela primeira vez, o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira vai formar especialistas em Medicina Física e Reabilitação e em Pediatria. Também no HDES de São Miguel se estreia, agora, o internato de Medicina de Urgência e Emergência. São pequenas marcas, indicam, de um caminho de diferenciação que se pretende construir.

Em comunicado, a secretária regional Mónica Seidi dirigiu-se diretamente aos novos internos, congratulando-os pela opção. “A escolha pela região representa não apenas o início de um percurso profissional exigente, mas também um contributo determinante para o futuro da saúde dos açorianos”, afirmou. A governante, cujo texto foi divulgado na nota oficial, não ignorou o elefante na sala: a dificuldade crónica em reter e atrair médicos para o arquipélago. Reconheceu-o como um “desafio estratégico” que exige um “esforço conjunto e articulado” envolvendo múltiplas entidades, desde o Governo Regional à República, passando pelas ordens e instituições de ensino.

O discurso oficial apontou ainda medidas concretas que já estão no terreno, tentando criar algum atrativo. A majoração salarial para médicos que trabalham em ilhas sem hospital foi mencionada, assim como o regime fiscal próprio dos Açores, que opera reduções nos impostos diretos. A estratégia, insistiu Seidi, passa por aproveitar ferramentas como o Plano de Recuperação e Resiliência para modernizar e tornar o SRS “mais competitivo e atrativo”.

Enquanto isso, os setenta e um começam a desembalar as batas. O seu impacto real na pressão assistencial sentida diariamente nas ilhas é uma incógnita que só os próximos meses desvendarão. Mas para a secretária regional, cada um que chega e fica – ou pelo menos fica o tempo da sua formação – é uma peça que se encaixa num puzzle maior.

NR/HN/Lusa

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