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A noite de 2 para 3 de janeiro na urgência geral do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, na Amadora, ficou marcada por uma situação considerada clinicamente insustentável. De acordo com o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM), durante oito horas apenas um médico esteve escalado para atender todos os doentes da área ambulatória. Esse cenário, descrito como previsível e não como uma falha imprevista, levou à demissão das responsáveis pela equipa da Urgência Geral.
O sindicato detalha que, antes da meia-noite do dia 2, a escala contemplava um chefe de equipa, quatro médicos no serviço de observação e dois na área ambulatória. A partir da zero hora e até às 8h00 da manhã seguinte, a cobertura na ambulatória reduziu-se a um único profissional. Nesse período, circulavam pela urgência 179 doentes, com mais de sessenta internados no serviço de observação. Os tempos de espera chegaram a ultrapassar seis horas para casos triados como laranja e vinte horas para os classificados como amarelos.
André Arraia Gomes (na imagem) , presidente do SMZS, atribui a responsabilidade direta ao Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra, que se encontra demissionário desde o início de novembro sem ainda ter sido substituído. “Não se tratou de um acidente. Foi a escala previamente definida, sem qualquer medida corretiva, mesmo num pico de gripe”, afirmou. Para o dirigente sindical, o episódio reflete uma “degradação progressiva e intencional” do SNS, criando condições para justificar a transferência de cuidados para o setor privado.
A nota do SMZS-FNAM estende a responsabilidade ao Governo e ao Ministério da Saúde, acusando-os de manter as urgências sem capacidade de resposta e de falharem na fixação de médicos. O sindicato refere que o anúncio de reforço de equipas feito pela Comissão Executiva do SNS não produziu efeitos visíveis naquele hospital.
A demissão das coordenadoras é apresentada como um gesto que traduz o “limite ético e profissional” perante a repetição de cenários críticos. O sindicato manifestou solidariedade com os profissionais que trabalham naquela urgência “em condições extremas e com enorme desgaste”, garantindo cuidados “apesar da ausência de condições mínimas”.
O SMZS-FNAM afirma-se disponível para contribuir na construção de soluções, sublinhando que “sem ouvir os médicos e sem responder às suas necessidades não há milagres”. A situação coloca em evidência a crise de gestão e de recursos humanos numa das maiores unidades hospitalares do país.
NR/HN/Lusa



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