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Uma equipa do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, em parceria com a empresa Luzitin SA, desenvolveu uma molécula de dimensões reduzidas que pode vir a alterar o paradigma do tratamento de tumores sólidos. A aposta, contrariando a tendência de complexificação das moléculas, recaiu na identificação da estrutura mais pequena com propriedades ideais para terapia fotodinâmica.
Chama-se LUZ51 e trata-se do fotossensibilizador mais pequeno conhecido capaz de absorver luz infravermelha. Esta característica permite-lhe atravessar tecidos humanos de forma eficaz, algo essencial para atingir tumores localizados em profundidade. A terapia fotodinâmica, como explica o professor Luís Arnaut, investigador do Centro de Química de Coimbra, baseia-se precisamente na ativação de um composto por ação da luz, desencadeando reações químicas que eliminam células tumorais de forma localizada.
Os ensaios realizados, já em modelos animais, mostraram que a LUZ51 se acumula treze vezes mais no tumor do que nos tecidos saudáveis vizinhos. Internaliza-se rapidamente nas células cancerígenas e, quando ativada, induz a sua destruição. Num dos cenários mais complexos, o do cancro da mama triplo negativo, observou-se algo que surpreendeu os investigadores: mesmo perante sinais de metastização pulmonar, o tratamento local com LUZ51 reduziu ou eliminou lesões à distância.
Luís Arnaut admite que estes dados apontam para um possível estímulo do sistema imunitário do organismo, alargando os efeitos da terapia para além da zona iluminada. A descoberta já foi protegida por patente em vários países e os detalhes constam de um artigo publicado na Angewandte Chemie International Edition.
Apesar do entusiasmo, o caminho até à aplicação em doentes ainda será longo. Os investigadores estimam que sejam necessários cerca de cinco anos de ensaios clínicos para validar a segurança e eficácia em humanos. Contudo, a LUZ51 representa uma nova via no desenvolvimento de tratamentos mais precisos e menos agressivos, mantendo a esperança de que a simplicidade molecular possa ser a chave para vencer barreiras biológicas até aqui difíceis de ultrapassar.
PR/HN/MM



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