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O Bloco de Esquerda dirigiu esta quarta-feira uma pergunta à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, a exigir explicações sobre os atrasos na prestação de socorro pelo INEM. O requerimento segue-se à morte de um homem no Seixal, que aguardou assistência perto de três horas.
No documento, acessível através da página oficial da Assembleia da República, o partido sustenta que o novo modelo de triagem telefónica, ativo há menos de uma semana, mereceu já “duras críticas” dos Técnicos de Emergência Médica e dos bombeiros. Por isso, defende o BE, o sistema “tem de ser colocado em causa e revisto” urgentemente. Seja por falha do modelo, por insuficiência de meios ou pela conjugação de ambos, “esta é uma situação que nunca devia ter ocorrido”, acentua a força política.
Os bloquistas querem ver que medidas concretas o Governo tenciona implementar para assegurar o funcionamento eficaz da triagem. Exigem ainda esclarecimentos pormenorizados sobre como um pedido de socorro, com “acionamento de meio mais atempado”, culminou no falecimento de uma pessoa idosa após uma demora de 179 minutos. “A degradação do INEM é de enorme preocupação porque coloca em causa o socorro à população”, alerta o BE, sublinhando que o acionamento de meios deve medir-se em segundos, não em horas.
O caso remonta a terça-feira, no Seixal. A cronologia dos factos, a que a Lusa teve acesso, detalha que a primeira chamada para o 112 foi feita às 11:20, reportando uma queda. O homem, de 78 anos, apresentava agitação, confusão, sonolência e prostração. Classificado com prioridade 3 (resposta em até 60 minutos), só às 14:09 foi despachada uma viatura médica de Almada. Pelas 14:05, numa nova chamada, já se registava paragem cardiorrespiratória.
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) confirmou o óbito e admitiu que o recente sistema de triagem poderá ter influenciado o desfecho. “Provavelmente contribuiu”, afirmou o presidente do STEPH, Rui Lázaro. “Se o novo sistema não tivesse sido implementado, assim que a ocorrência foi criada, já se procuraria uma ambulância para ser enviada”, explicou, realçando que, com a prioridade atribuída, não espanta que não houvesse uma procura imediata de recursos.
O novo protocolo, em vigor desde o início do ano nos Centros Operacionais de Doentes Urgentes (CODU), estabelece cinco níveis de prioridade – de ’emergente’ a ‘não urgente’. Uma prioridade 3, como a atribuída a esta ocorrência, enquadra-se no nível ‘urgente’, com risco de agravamento clínico e tempo de resposta previsto até 60 minutos para a chegada do primeiro meio de socorro.
NR/HN/Lusa



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