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A Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra confirmou esta quinta-feira a saída da sua enfermeira diretora, Luísa Ximenes, que apresentou o pedido de renúncia na passada quarta-feira. A instituição, em comunicado, vinculou a decisão à falta de condições para a continuação do exercício das suas funções.
A nota oficial não poupa críticas à demora do processo de substituição da liderança máxima. O presidente do conselho de administração, Carlos Sá, foi demitido há mais de dois meses, um vazio que, segundo a administração, tem sido objeto de “solicitações reiteradas” à tutela para uma “rápida substituição”. Essa ausência, sustentam, compromete a governabilidade de uma estrutura complexa como esta unidade de saúde.
O cenário de pressão nos serviços surge como pano de fundo. O mesmo comunicado confirma ter recebido uma declaração de escusa de responsabilidade subscrita pela equipa de enfermagem do Serviço de Urgência Geral (SUG) do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca. A administração reconhece a “elevada pressão assistencial” na urgência, enquadrando-a num contexto nacional de “significativos constrangimentos”, mais agudos nas épocas de maior afluência.
Num tom que mistura apreço e preocupação, o conselho enaltece o “empenho, profissionalismo e dedicação” de enfermeiros e outros profissionais que mantêm os cuidados em circunstâncias “excecionais e particularmente exigentes”. A verdade, porém, é que os problemas não nasceram hoje. A administração argumenta que as dificuldades no SUG foram antecipadas desde setembro do ano passado, altura em que foi apresentado ao Ministério da Saúde um plano de reorganização estrutural do serviço, que ainda aguarda luz verde.
Esse plano, que se arrasta na gaveta da tutela, prevê a criação de um Centro de Responsabilidade Integrado (CRI). A ideia é ganhar estabilidade nas equipas, valorizar de forma diferenciada os profissionais e melhorar o desempenho, com um reforço na segurança dos doentes. Inclui também o almejado reforço de médicos para a urgência e a implementação de soluções de Inteligência Artificial para otimizar o circuito dos pacientes – medidas que estão, garantem, “em fase de concretização”.
Enquanto o aval formal não chega, a administração afirma ter desencadeado as medidas ao seu alcance. Fala-se na otimização da gestão de altas e na contratação de médicos em regime de prestação de serviços. O plano de contingência sazonal de inverno está ativo, encontrando-se, no momento, no seu nível máximo de operação, o nível 3. Uma resposta interna a um inverno que, na urgência do Fernando Fonseca, parece ter começado mais cedo.
NR/HNLusa



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