Gouveia e Melo promete combater “boys” e exige responsabilização por falhas do Estado

8 de Janeiro 2026

Candidato presidencial critica nomeações políticas para cargos técnicos e aponta demora no socorro do INEM como exemplo de uma administração pública que falha repetidamente

O candidato à Presidência da República Gouveia e Melo afirmou hoje que é necessário acabar com as nomeações de “boys” para lugares de competência técnica e exigir responsabilidades concretas pelas falhas do Estado, que classificou como consistentes. As declarações ocorreram no Porto de Leixões, após ser questionado sobre a morte de um homem no Seixal, que aguardou quase três horas pelo INEM.

“Um Estado que falha consistentemente é um Estado que deve merecer a atenção do poder político. Não podemos continuamente falhar, falhar, falhar e acharmos que está tudo bem”, declarou o almirante, visivelmente incomodado com a cronificação dos problemas. Questionou depois quem responde por esses fracassos, pegando no exemplo dos aviões de combate a incêndios que estiveram incapacitados. “Parece-me que nunca há responsáveis para nada”, atirou.

Gouveia e Melo vincou que a prática de rodar cargos de gestão perante cada crise serve apenas como desculpa e não resolve as fragilidades de fundo. “O poder político não pode andar a mudar os responsáveis de estruturas sempre que há um problema, como uma forma de se desculpar. Isso não pode acontecer”, insistiu. Defendeu que, abaixo de uma fina camada de direção política, as administrações devem ser profissionais. “Queremos um Estado profissionalizado, capaz de nos dar respostas, ou queremos um Estado que basicamente serve para albergar um conjunto de clientelas?”, interpelou.

Mais cedo, durante a visita às instalações portuárias, tinha já elogiado a desburocratização operacional conseguida nos últimos anos. Mas logo a seguir lançou o alerta: “É preciso não deixar que as estruturas políticas infiltrem lugares de alta competência técnica, totalmente baseadas no conhecimento”. E concretizou: “Não pode vir um ‘boy’ controlar uma coisa que não conhece só porque tem um cartão político. Infelizmente, isso acontece um pouco em toda a administração pública”.

Eleito ou não, esta será uma das suas bandeiras, garantiu. A sua causa, disse, será a “missão de renovar o Estado, para que tenha um elevado nível de eficiência, com muito menor burocracia”. Para tal, argumentou que é imperioso valorizar os recursos humanos. “O Estado precisa também de pagar melhor para reter talento e para que haja uma economia mais pujante em Portugal”, completou.

NR/HN/Lusa00

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