Marques Mendes aponta direção executiva do SNS após mortes por alegados atrasos no socorro

9 de Janeiro 2026

O candidato presidencial criticou a ausência de esclarecimentos públicos da estrutura do Serviço Nacional de Saúde, que classificou como "desaparecida em combate", exigindo responsabilizações

No distrito de Beja, durante uma deslocação à Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo, Marques Mendes confrontou-se com questões sobre as mortes no Seixal e na Quinta do Conde, alegadamente causadas por demoras no atendimento de emergência. O candidato, suportado por PSD e CDS-PP, não se alinhou com os apelos da oposição para a demissão da ministra da Saúde, mas foi contundente com a direção executiva do SNS.

“Espero e desejo que alguém de responsabilidade venha no mínimo explicar esta situação”, afirmou, visando claramente os responsáveis máximos da administração do SNS. “Anda desaparecida em combate. Foi constituída para ter atividade, iniciativa, ação, mas ninguém a vê a abrir a boca”, desabafou, confessando nunca ter sido favorável à criação deste organismo. Reconheceu, no entanto, que agora existe e tem deveres de prestação de contas perante o país.

Questionado sobre o papel da ministra Ana Paula Martins neste capítulo específico, Mendes acabou por admitir que também ela poderia dar uma palavra. “Acho que sim. Acho que, se entender, sim”, disse, embora tenha sublinhado que a sua coerência o impede de avaliar ou pedir publicamente a demissão de governantes, função que não atribui à Presidência da República. “Há responsabilidades, mas a primeira responsabilidade é dar uma explicação”, insistiu, rematando com um questionamento direto: “Onde é que está a Comissão Executiva do SNS? Onde está?”.

Os casos, que considera “chocantes”, levaram-no a exigir publicamente clareza sobre as circunstâncias que levaram à perda de vidas, insistindo na urgência de uma tomada pública de posição por parte da estrutura que gere operacionalmente o serviço de saúde.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Centro de Saúde das Lajes do Pico com projeto entregue até junho

O projeto de construção do novo Centro de Saúde das Lajes do Pico deverá estar concluído até ao final do primeiro semestre deste ano, revelou hoje o deputado Carlos Freitas (PSD) na Assembleia Legislativa dos Açores, no arranque das jornadas parlamentares do partido na ilha do Pico

Alenquer declara guerra ao encerramento das urgências de obstetrícia

A Câmara Municipal de Alenquer aprovou hoje um voto de repúdio contra o encerramento da urgência obstétrica do Hospital de Vila Franca de Xira, marcado para a próxima segunda-feira, exigindo a reversão imediata da decisão que afeta uma população superior a 250 mil habitantes

Época das chuvas já matou 270 pessoas em Moçambique desde outubro

A época das chuvas em Moçambique já matou 270 pessoas desde outubro, com quase 870 mil afetadas. Os dados foram atualizados hoje pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que regista ainda mais de 10 mil casas destruídas e perto de 400 mil hectares de culturas perdidos

Tabaco aquecido divide ciência enquanto Suécia adopta redução de riscos

A adopção de políticas de substituição do tabaco de combustão por alternativas como o tabaco aquecido ganha terreno na Europa, mas a evidência científica sobre os benefícios para a saúde pública está longe de ser consensual. Em Dezembro de 2024, o parlamento sueco formalizou uma estratégia de redução de danos, tornando-se o primeiro país a inscrever na lei o princípio de que os produtos sem combustão, incluindo o tabaco aquecido, representam um risco inferior ao dos cigarros convencionais. A decisão baseia-se em dados de saúde pública que apontam para uma incidência de cancro 41% inferior à média europeia e para uma mortalidade atribuível ao tabaco 44% mais baixa. Mas enquanto a Suécia, o Japão ou a Nova Zelândia avançam com modelos permissivos, organizações independentes de saúde questionam a solidez dos estudos que sustentam essas políticas .

A dignidade invisível de quem cuida

Abel García Abejas, Médico
MGF Cuidados Paliativos; Doutorando em Medicina, Docente de Bioética na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior

Cem anos de medicina no feminino celebrados em Coimbra

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos promove no dia 12 de março, pelas 18h30, uma tertúlia e inauguração de exposição que assinalam o centenário da presença feminina na medicina em Portugal, num evento híbrido com transmissão online a partir da Sala Miguel Torga, em Coimbra

“Epidemia silenciosa”: distúrbios do sono afetam 800 mil crianças em Portugal

No Dia Mundial do Sono, assinalado esta sexta-feira, dados revelam que cerca de 30% das crianças portuguesas enfrentam dificuldades para dormir, estimando-se que 40% apresentem distúrbios associados a hábitos precocemente consolidados. A coordenadora da Pós-graduação em Sono da Criança, Adolescente e Família, Joana Marques, classifica a situação como um problema de saúde pública negligenciado, com impacto direto na aprendizagem, memória e atenção dos mais novos. “O sono infantil não é um detalhe de rotina, é um pilar essencial para o desenvolvimento neurocognitivo e emocional”, sublinha, acrescentando que dormir mal pode potenciar obesidade, diabetes e alterações de comportamento. A privação de sono afeta também a saúde mental dos pais, limitando a capacidade de resposta ao stresse

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights