Salomé Rosa: “O ENEEB é um espaço de reflexão crítica e de inspiração para quem vai moldar o futuro do setor”

01/09/2026
Salomé Rosa, Vice-Presidente da Comissão Organizadora do Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica (ENEEB), revela os principais desafios logísticos da edição de 2026, a aposta na sustentabilidade e o papel do evento como ponte entre a academia e a indústria. Em entrevista exclusiva ao HealthNews, destaca ainda os temas prementes que vão marcar o futuro da Engenharia Biomédica. As inscrições para o evento abrem a 26 de janeiro de 2026

HN – Enquanto Vice-Presidente da Comissão Organizadora, quais considera serem os maiores desafios logísticos e organizativos de acolher um evento da dimensão do ENEEB para 400 participantes em Aveiro?

SR – Organizar um evento como o ENEEB, em que contamos com cerca de 400 participantes de todo o país, representa um grande desafio logístico e humano. Entre as principais dificuldades destacam-se a garantia de alojamento, a organização das refeições e a gestão de transportes para atividades fora do campus. Enquanto Vice-Presidente, outro ponto crítico é a coordenação interna da equipa, que envolve 5 departamentos a trabalhar em simultâneo — um processo exigente e essencial para que tudo decorra de forma coesa. A isto soma-se a necessidade de cuidar de cada detalhe para garantir uma experiência fluída, acolhedora e organizada. No conjunto, estes desafios exigem preparação antecipada, comunicação constante e uma equipa altamente coordenada.

HN – O programa do ENEEB inclui uma forte componente de networking com empresas e visitas a instituições. De que forma é que estas experiências práticas complementam a formação académica dos estudantes e os preparam para os desafios do mercado de trabalho?

SR – Acreditamos que estas experiências são fundamentais para aproximar os estudantes da realidade profissional. A interação direta com empresas, laboratórios e centros de investigação permite compreender o que é valorizado no mercado de trabalho, conhecer tecnologias emergentes e perceber como o conhecimento adquirido na universidade é aplicado em contexto real. Além disso, fornece aos estudantes oportunidades únicas de criar contactos, explorar potenciais estágios ou projetos e desenvolver competências transversais como comunicação, trabalho em equipa e resolução de problemas — elementos essenciais para uma integração mais sólida e informada no futuro profissional.

HN – A sustentabilidade ambiental é mencionada como uma prioridade para esta edição. Que medidas concretas estão a ser planeadas para tornar o XXI ENEEB num evento mais ecológico e alinhado com as preocupações atuais?

SR – Temos um compromisso claro com a redução do impacto ambiental do evento. Estamos a planear medidas como a redução de materiais descartáveis, privilegiando materiais reutilizáveis e biodegradáveis, a escolha de fornecedores locais e sustentáveis e a promoção de deslocações a pé ou por transportes públicos dentro da cidade. Para diminuir significativamente a necessidade de materiais físicos, estamos também a centralizar toda a informação relevante num website próprio, permitindo uma comunicação mais eficiente e sustentável. O nosso objetivo é que o ENEEB não seja apenas um encontro académico, mas também um exemplo de responsabilidade ambiental alinhado com as preocupações atuais.

HN – Como é que o ENEEB, enquanto ponte entre a academia e a indústria, procura influenciar o futuro da Engenharia Biomédica em Portugal e responder às necessidades de inovação do setor da saúde?

SR – O ENEEB funciona como um espaço onde estudantes, investigadores e empresas podem dialogar sobre necessidades reais do setor da saúde. Ao promover round-tables, workshops especializados e sessões de apresentação de tecnologia, o evento estimula reflexões críticas e incentiva o desenvolvimento de soluções inovadoras. Esta ligação entre academia e indústria é essencial para criar talento qualificado, fomentar projetos conjuntos e aproximar a investigação dos desafios concretos que o sistema de saúde enfrenta. Acreditamos que este diálogo contínuo contribui para orientar a formação e a investigação em Engenharia Biomédica rumo a um impacto mais direto na sociedade.

HN – Que tipo de impacto espera que o ENEEB 2026 tenha na cidade de Aveiro e na sua comunidade, para além do âmbito estritamente académico?

SR – Esperamos que o XXI ENEEB dinamize a cidade de Aveiro a vários níveis, ultrapassando claramente o âmbito académico. A vinda de centenas de participantes terá um impacto direto na restauração, no alojamento e no comércio local, contribuindo para a economia da cidade durante os dias do evento. Paralelamente, acreditamos que a presença de estudantes e oradores de todo o país trará uma energia cultural muito própria, promovendo um ambiente de descontração e partilha. Para além disso, pretendemos criar momentos que envolvam a comunidade aveirense pela abertura de algumas atividades ao público.

HN – O evento pretende “debater o futuro da Engenharia Biomédica”. Quais são os tópicos ou questões mais prementes que gostariam de ver abordados nesse debate pelos oradores e participantes?

SR – Há um conjunto de questões que consideramos essenciais abordar, nomeadamente o papel crescente da inteligência artificial e da análise de dados em saúde, os desafios da personalização de dispositivos médicos, a transição da investigação para a clínica, a inovação em biomateriais e terapias avançadas, bem como a ética associada ao desenvolvimento tecnológico. Estes temas representam tendências globais e áreas onde a Engenharia Biomédica terá um impacto decisivo nos próximos anos. Serão precisamente estes eixos que estruturarão o debate na edição de 2026 do ENEEB, para a qual as inscrições se abrem a 26 de janeiro.

Além disso, esta edição do Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica (ENEEB) foi estruturada de forma a permitir que cada estudante explore a área da Engenharia Biomédica que mais lhe interessa, através de workshops, round-tables e atividades temáticas. O nosso objetivo é que o evento funcione como um espaço de reflexão crítica e, simultaneamente, de descoberta e inspiração para os estudantes que irão moldar o futuro do setor.

Entrevista MMM

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