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O Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro opera há demasiado tempo com uma carga que excede em muito os seus limites físicos e humanos. A conclusão é dura e partiu, esta quinta-feira, de uma visita de avaliação da Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros (OE), que decidiu inspecionar a unidade depois de receber queixas persistentes de quem lá trabalha dia após dia.
O cenário que encontraram, detalhado num comunicado, afasta-se da mera má jornada para pintar um retrato de rutura. As camas estão ocupadas além do que é suposto, os corredores talvez também, e o número de enfermeiros e de técnicos auxiliares de saúde é manifestamente insuficiente para as necessidades de vigilância que os doentes, muitos deles aguardando vaga para internamento há demasiadas horas, exigem. “A sobrelotação é persistente”, lê-se no documento, que sublinha os “tempos de permanência excessivos” na urgência.
Mas o relato não se fica pelos números. A OE fala abertamente de um ambiente que está a minar as pessoas. A equipa, descreve, exibe “sinais de desgaste e potencial burnout”, uma pressão assistencial elevada e constante que exige, alertam, “medidas sérias e protetoras do bem-estar” para que seja possível sequer garantir uma prática clínica segura. Há outro problema estrutural a agravar o quotidiano: limitações na resposta de algumas especialidades durante a noite e “dificuldades na referenciação clínica”, entraves que fragmentam o trabalho em equipa e, inevitavelmente, aumentam os riscos para quem precisa de cuidados.
A ordem profissional, quase num apartado de reconhecimento face ao tom crítico do resto do comunicado, enaltece “o profissionalismo e a resiliência” dos enfermeiros e auxiliares que trabalham naquela unidade. No entanto, a responsabilidade por travar esta espiral, insiste, reside noutro patamar. A OE é peremptória ao afirmar que as “soluções estruturais” cabem inteiramente à direção do serviço, à direção clínica e, em última análise, ao conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Aveiro.
A Agência Lusa contactou o conselho de administração da ULS da Região de Aveiro para obter uma resposta e um esclarecimento sobre as acusações presentes no comunicado, mas ainda não recebeu qualquer posição oficial da entidade gestora do hospital.



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