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A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) veio hoje ôr o dedo numa ferida que teima em não fechar. Questiona a razão pela qual os Postos Médicos Avançados (PMA), estruturas montadas à pressa à porta das urgências no auge da pandemia, se evaporaram do panorama. Especialmente agora, quando os corredores dos hospitais voltam a encher-se de doentes à espera de horas por uma primeira observação.
Num comunicado que mistura a linguagem técnica com um tom de evidente frustração, a ANTEM recorda o caso do Hospital de Santa Maria. Ali, um PMA serviu para fazer uma triagem prévia dos doentes antes sequer de estes atravessarem as portas do serviço de urgência. A experiência, dizem, foi “um sucesso inequívoco”. Mas ficou por ali, uma espécie de solução de guerra que a paz varreu. “Por que razão não foram instalados Postos Médicos Avançados nos hospitais com maior fluxo de pacientes?”, interpela a associação, deixando a pergunta pairar no ar.
A pergunta não cai no vazio. Basta olhar para o que se passa em várias unidades, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde a escassez de médicos para assegurar escalas faz com que os tempos de espera se distendam de forma alarmante. No hospital Amadora-Sintra, por exemplo, doentes com pulseira amarela – classificados como urgentes – já chegaram a aguardar cerca de 20 horas pela primeira observação, segundo os dados abertos do portal do SNS. Uma eternidade quando comparada com o tempo de resposta recomendado de 60 minutos para estes casos.
A ANTEM insiste que aquele posto no Santa Maria permitiu uma gestão mais eficiente e aliviou a pressão dentro do hospital. E remata, dirigindo-se diretamente ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM): “Por que motivo o INEM não voltou a implementar esta solução, comprovadamente eficaz, em contextos de elevada afluência de doentes?”. A pergunta surge num momento particularmente sensível. Apenas esta semana, soube-se que pelo menos três pessoas morreram depois de ligarem para o 112 e os meios de socorro não terem chegado a tempo.
O INEM, por seu lado, já veio rejeitar responsabilidades diretas nestes óbitos, apontando antes o dedo à falta crónica de meios e a um problema persistente: a retenção de macas nas urgências. Quando as ambulâncias ficam bloqueadas à porta dos hospitais à espera que uma maca fique livre, o sistema de emergência pré-hospitalar simplesmente paralisa. A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) já soou o alarme sobre este efeito dominó, que prejudica toda a cadeia de socorro.
Para a ANTEM, a solução poderia passar por medidas pragmáticas, como a disponibilização de “macas de catástrofe” aos hospitais sob maior pressão. Seria um reforço temporário, um paliativo para desbloquear as ambulâncias. A associação defende que estas não são questões menores, mas centrais para a articulação entre o INEM e o SNS. Tudo isto, sublinham, tem um “impacto direto na qualidade, segurança e eficiência dos cuidados” que chegam às pessoas.
NR/HN/Lusa



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