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A proporção de doentes com gripe nos cuidados intensivos aumentou de forma notória na semana que terminou a 4 de janeiro, segundo o mais recente boletim de vigilância do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.
A pressão da gripe nas unidades de cuidados intensivos (UCI) ganhou um novo fôlego no arranque do ano. O boletim de vigilância epidemiológica da gripe e outros vírus respiratórios do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), relativo ao período de 29 de dezembro de 2025 a 4 de janeiro de 2026, revela que a gripe representou 18,8% das causas de internamento em UCI. Este valor marca um acréscimo considerável face aos 11,3% registados na semana anterior. A informação, que espelha a situação em 16 unidades de cuidados intensivos que reportaram dados, dá conta de 27 novos casos graves de gripe, mais onze do que na semana anterior, quando 13 UCI notificaram 16 casos.
A fotografia etária destes internamentos graves mostra que a idade continua a ser um fator de risco preponderante. Do total de 27 casos, catorze doentes tinham 65 ou mais anos. Os restantes distribuíam-se pelas faixas etárias dos 55-64 anos (cinco casos), 45-54 anos (cinco casos) e 35-44 anos (três casos). Um dado que salta à vista é que, daqueles 27 doentes, 24 integravam grupos com recomendação para vacinação contra a gripe sazonal. No entanto, apenas seis estavam efetivamente vacinados, sendo o estado vacinal desconhecido em dois casos. Quase todos, precisamente 22, apresentavam pelo menos uma doença crónica de base, condição que agrava o prognóstico.
Olhando para o panorama mais amplo das infeções respiratórias, os laboratórios da Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe notificaram, na última semana, 1.340 novos casos de gripe. Desde o início da época de outubro, o número acumulado de casos identificados subiu para 11.795, no âmbito de um total de 59.135 notificações de infeção respiratória. A incidência de infeção respiratória aguda grave (SARI) manteve-se elevada, com 91 novas admissões reportadas pelas Unidades Locais de Saúde que integram esta vigilância específica. Tal corresponde a uma taxa de incidência de 11,7 casos por 100 mil habitantes. As taxas mais altas continuam a observar-se no grupo com 65 ou mais anos, enquanto nas crianças até aos quatro anos se tem verificado uma certa desaceleração nas últimas semanas.
O Vírus Sincicial Respiratório (RSV) mantém uma presença forte, tendo sido o agente mais detetado depois da gripe na última semana, em 397 casos. Desde outubro, a rede sentinela VigiRSV reportou 74 internamentos por RSV em crianças com menos de dois anos. Cerca de 16% dessas crianças tinham três meses ou menos, e aproximadamente 5,4% necessitaram de cuidados intensivos ou de suporte ventilatório.
O INSA regista ainda, para a semana em análise, um excesso de mortalidade por todas as causas que se fez sentir em todas as regiões de Portugal continental, em ambos os sexos e em vários grupos etários a partir dos 45 anos. No capítulo da covid-19, a monitorização genética do SARS-CoV-2 indica que a variante Ómicron BA.2.86 XFG se mantém dominante, representando 60,3% das 911 amostras sequenciadas desde maio de 2025.
NR/HN/Lusa



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