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Em comunicado, a associação defendeu que o constrangimento central reside na escassez de profissionais e de meios clínicos, salientando que “na realidade o que falta são médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, e técnicos auxiliares de saúde, a par da falta de espaço e equipamentos de diagnóstico que evitem, por exemplo, filas com macas ocupadas para fazer um raio X, ou horas de espera pelo resultado de análises”.
A APROSOC sublinhou ainda que a pressão sobre o SNS tem vindo a aumentar de forma consistente, acompanhando o crescimento da população, sem que tenha existido um reforço proporcional da capacidade de resposta das unidades hospitalares. Segundo a associação, “a procura do Serviço Nacional de Saúde cresceu devido ao aumento da população, mas a capacidade de resposta das unidades hospitalares em termos de espaço, equipamentos e recursos humanos não acompanhou esse aumento, nem para a resposta quotidiana, nem para os picos tendencialmente expectáveis de afluência”.
Neste contexto, a associação criticou medidas centradas exclusivamente no reforço do número de ambulâncias, alertando para o risco de se atuar apenas sobre as consequências e não sobre as causas estruturais do problema. O presidente da APROSOC, João Paulo Saraiva, considerou que “aumentar o número de ambulâncias para fazer face às ambulâncias inoperacionais por maca retida na unidade hospitalar é colocar um penso rápido num doente que necessita de uma cirurgia complexa, ou se preferirmos, olharmos apenas para o negócio do transporte de doentes e não para as necessidades dos utentes do SNS”.
As declarações da APROSOC surgem numa semana marcada por vários casos graves associados a atrasos no socorro. Pelo menos três pessoas morreram depois de terem contactado o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) a pedir ajuda, sem que os meios de emergência tenham chegado a tempo.
O INEM anunciou a abertura de uma auditoria relativamente a um dos casos, mas rejeitou responsabilidades, apontando como principais constrangimentos a falta de meios disponíveis e a retenção prolongada de macas nas unidades hospitalares, que impede a rápida libertação das ambulâncias.
Perante a sucessão de ocorrências, o Governo aprovou a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, num investimento global de 16,8 milhões de euros. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que lamentou as mortes de pessoas que não conseguiram obter socorro atempado.
Também a Liga dos Bombeiros Portugueses se pronunciou sobre a situação, alertando que o funcionamento das urgências hospitalares está a prejudicar de forma direta o sistema de emergência pré-hospitalar. A LBP defendeu a necessidade de uma solução integrada e conjunta entre os diferentes níveis do sistema de saúde, de modo a agilizar o socorro, reduzir os tempos de espera e permitir a libertação mais rápida de ambulâncias e macas.
lusa/HN



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