Polícia desmantela clínica clandestina na província moçambicana de Zambézia

11 de Janeiro 2026

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) desmantelou uma clínica clandestina, apreendeu medicamentos diversos e deteve um profissional de saúde reformado, na província de Zambézia, centro de Moçambique.

“A clínica clandestina, que é bem conhecida no bairro Mariana, fazia trabalhos de saúde e até internamentos. Essa é a realidade que nós temos”, disse o chefe do Departamento de Comunicação e Relações Públicas do Sernic na Zambézia, Maximino Amílcar, citado hoje pela comunicação social.

Segundo o responsável, o desmantelamento da clínica e a detenção do profissional com mais de 60 anos, reformado há cerca de cinco anos do Sistema Nacional de Saúde (SNS), onde exercia a função de técnico de laboratório, foi possível mediante um “trabalho apurado” e coordenação com as autoridades de saúde, tendo sido possível, por isso, apreender uma quantidade de medicamentos diversos, não especificada.

Isaías Marcos, médico-chefe provincial da Zambézia, assinalou que grande parte dos medicamentos apreendidos foi desviada do SNS, causando um prejuízo superior a 25 mil meticais (336 euros), e a outra parte dos fármacos retirada do setor privado era avaliado em cerca de 5.000 meticais (67 euros).

Segundo Marcos, o desvio de medicamentos é uma preocupação a nossa província tem, no que diz respeito ao desvio e venda de medicamentos em locais impróprios.

“Estou a referir-me de feiras, estou a referir-me, portanto, das residências, como é o caso desta apreensão que nós temos aqui hoje”, concluiu.

Moçambique recuperou 5.100 doses dos cerca de 844.860 tratamentos anti-palúdicos desviados em dezembro no armazém central da Machava, província de Maputo, anunciaram na sexta-feira as autoridades, alertando que a quantidade é ainda muito reduzida.

Em causa está uma ação conjunta entre a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (Anarme), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Sernic, que culminou com a detenção de funcionários do armazém central e seguranças, explicou, na Matola, a diretora-geral da Central de Medicamentos e Artigos Médicos, Noémia Escrivão.

Segundo a diretora-geral da central de medicamentos, neste momento seis pessoas estão detidas, associadas a este crime, sendo um deles trabalhador do armazém, dois seguranças e os restantes alegados compradores da mercadoria.

O ministro da Saúde, Ussene Isse, voltou a declarar recentemente “tolerância zero” ao contrabando de fármacos no país, numa menção aos recentes casos conhecidos de furto de medicamentos nas unidades sanitárias.

lusa/HN

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