APH reforça luta contra coagulopatias na mulher com novas ferramentas em 2025

12 de Janeiro 2026

A Associação Portuguesa de Hemofilia e outras Coagulopatias Congénitas (APH) deu início a uma nova fase da campanha “O pior das coagulopatias na mulher? É não saber”, que este ano entra no seu terceiro ano com o objetivo de aumentar a visibilidade das coagulopatias femininas e promover mudanças significativas no sistema de saúde. 

Esta iniciativa reforça a importância do diagnóstico precoce e do apoio adequado às mulheres afetadas por estes distúrbios.

Para 2025, a campanha apresenta quatro novidades principais. A primeira é a HEMA, o primeiro avatar mundial especialista em coagulopatias, desenvolvido com inteligência artificial para responder de forma imediata e fiável às dúvidas das utilizadoras. Esta ferramenta inovadora ajuda a identificar sintomas e sinais de alerta, responde às perguntas mais frequentes sobre coagulopatias e orienta para os locais de saúde especializados e profissionais adequados.

A segunda novidade é o Relatório 2024 do Grupo de Reflexão das Coagulopatias, um documento pioneiro elaborado por médicos, investigadores, doentes e associações. Este grupo, composto por várias entidades como a APH, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, a Direção Geral da Saúde, entre outros, analisa os desafios que as coagulopatias colocam às mulheres em Portugal e apresenta recomendações estratégicas para o diagnóstico, acompanhamento clínico e políticas públicas.

A campanha lança também o Manifesto 2025 – Tempo de Conhecer e Agir, intitulado “Sangrar Faz Parte”, que apela à sociedade civil, aos profissionais de saúde e aos decisores políticos para se unirem em torno de quatro compromissos fundamentais: aumentar o diagnóstico precoce, melhorar a informação para médicos, escolas e famílias, garantir mais apoio clínico e emocional, e implementar políticas públicas que respondam às necessidades das mulheres com coagulopatias. Este manifesto está disponível para assinatura online, permitindo que todos possam contribuir para dar visibilidade a esta condição ainda invisível.

Por fim, foi criado o podcast “O sangue conta a história”, um espaço de conversa e partilha de conhecimento que dá voz às mulheres com coagulopatias, às entidades que promovem a mudança e aos profissionais de saúde que as acompanham. Cada episódio aborda temas essenciais com a participação de convidados especializados.

As coagulopatias são distúrbios genéticos que afetam a coagulação do sangue, podendo resultar de défices em fatores de coagulação, no fator de Von Willebrand ou na agregação plaquetária. Estas doenças variam em gravidade e podem ter um impacto significativo na qualidade de vida das mulheres que as têm. O diagnóstico atempado e correto é essencial para garantir o acompanhamento clínico adequado, prevenindo complicações e riscos desnecessários.

Entre os principais sinais de alerta para a presença de um distúrbio hemorrágico, destacam-se o período menstrual prolongado (mais de 7 dias), hemorragias abundantes após cirurgias, partos ou intervenções dentárias, hemorragias nasais frequentes e duradouras, nódoas negras frequentes ou de grandes dimensões, histórico familiar, anemia, necessidade de transfusão sanguínea e resultados anormais em análises sanguíneas, como o APTT prolongado. A presença de três ou mais destes sintomas deve levar ao aconselhamento médico para a realização de exames específicos.

Com estas iniciativas, a APH pretende garantir que nenhuma mulher continue invisível perante as coagulopatias, promovendo o conhecimento, o diagnóstico precoce e a melhoria da resposta do sistema de saúde às suas necessidades.

NR/HN/AL

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