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Três associações do setor anunciaram esta tarde a decisão de requerer uma audiência urgente ao primeiro-ministro e a todos os grupos parlamentares. O objetivo é apresentar propostas concretas para o setor, num movimento que pretende pressionar o Governo a atuar. Fernando Curto, presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), saiu de uma reunião alargada com a Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários (APBV) e a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) para deixar claro que os bombeiros “não têm nada a ver” com a atual problemática do socorro pré-hospitalar.
“Ficou decidido nós pedirmos uma audiência, com caráter urgente”, afirmou Curto aos jornalistas, sublinhando a necessidade de os decisores políticos entenderem as preocupações que se acumulam nas corporações. A intenção é, nas suas palavras, “reforçar e organizar melhor o socorro em Portugal”, assegurando a confiança das populações. O silêncio dos secretários de Estado da Saúde e da Proteção Civil foi particularmente lamentado, num sinal claro de desgaste na relação com o poder.
Questionado sobre o conteúdo das medidas a propor, o dirigente preferiu não adiantar pormenores antes de as discutir em sede própria com o executivo. No entanto, admitiu que várias ideias circulam na mesa de trabalho, desde uma possível taxa sobre macas retidas nos hospita até à criação de uma central única para coordenação de ambulâncias. “Todas as propostas que valorizem o trabalho dos bombeiros” estão a ser consideradas, afirmou, deixando no ar a perceção de que o setor se sente subvalorizado.
Fernando Curto não escondeu a urgência de alterar a Lei de Bases da Proteção Civil, um tema que considera estruturante e que, na sua ótica, deveria ser priorizado face a outras leis setoriais. “Quem presta diariamente o socorro, quem está na primeira linha, são os bombeiros”, justificou, enfatizando a necessidade de maior articulação entre a Proteção Civil, a Saúde e as corporações. A questão do comando único e a própria organização dos serviços de emergência foram apontadas como áreas que carecem de revisão imediata.
As associações manifestam uma preocupação que vai além das condições de trabalho dos bombeiros, estendendo-se ao financiamento das suas associações e à capacidade de resposta a quem chega a um quartel a pedir auxílio. “Estamos preocupadíssimos”, confessou Curto, num tom que misturava cansaço com determinação. A sensação de não serem ouvidos pelo poder político foi amplamente partilhada, culminando na decisão de escalar o diálogo diretamente para a esfera do primeiro-ministro. O cansaço, disse, é generalizado face àquilo que, simplesmente, “não se faz”.
NR/HN/Lusa



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