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A presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), Joana Teixeira, revelou perante deputados que 1,3% dos portugueses apresenta sinais de risco associados ao jogo e 0,6% já vive situação de dependência, valores que superam os de 2012. A audiência ocorreu na Comissão de Economia e Coesão Territorial, a pedido do partido Livre.
Perante os membros da comissão, Joana Teixeira, que assumiu o cargo no início deste ano, traçou um retrato preocupante. Os números, colhidos no Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral de 2022, indicam que 56% dos residentes no país já jogaram a dinheiro. Uma fatia considerável, ainda assim inferior aos 66% contabilizados há mais de uma década. O detalhe que verdadeiramente salta à vista, contudo, é outro. A trajectória dos consumos problemáticos e da dependência segue no sentido contrário, marcando uma clara ascendência.
Os homens entre os 25 e os 34 anos e os que têm entre 45 e 54 constituem os grupos onde os quadros de dependência mais se fazem sentir. O Euromilhões permanece como o jogo favorito da nação, com a raspadinha logo a seguir, hábitos mais enraizados na faixa etária dos 35 aos 64 anos. Mas é ao olhar para as gerações mais novas que a apreensão cresce. Um estudo realizado no âmbito do Dia da Defesa Nacional, em 2024, apurou que 16% dos adolescentes com 18 anos já efectuaram apostas ‘online’. Outro trabalho, o ECATD de 2024, focado em jovens dos 13 aos 18 em contexto escolar, refere que 18% jogaram a dinheiro no último ano. A maioria são rapazes, voltados para lotarias, apostas desportivas e jogos de cartas.
“Aqui temos outro dado bastante relevante”, frisou a responsável, sublinhando a urgência do tema. O fácil acesso às plataformas digitais está a impulsionar, na sua opinião, o fenómeno entre os menores dos 12 aos 16 anos. “Temos esta análise em curso no ICAD. Temos previstas várias medidas que serão apresentadas em breve”, assegurou, prometendo uma abordagem cientificamente correta para obter resultados em saúde pública.
Questionada especificamente sobre o papel da publicidade, Joana Teixeira não hesitou. Confirmou que se trata de “uma questão relevante”, citando estudos que estabelecem uma ligação directa entre a exposição a anúncios e a participação em jogos a dinheiro. Apesar de lembrar que a actividade é lúdica para a maioria e não conduz necessariamente a patologia, foi peremptória: para quem tem propensão, a publicidade amplia o perigo. “Aumenta o risco de jogar”, vincou.
A sucessora de João Goulão no ICAD, de 41 anos, falava no seu primeiro grande teste parlamentar, num debate que se espera influencie a futura regulação da publicidade e do patrocínio no sector dos jogos e apostas.
NR/HN/Lusa



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