Catarina Martins acusa primeiro-ministro de mentir sobre degradação intencional do SNS

14 de Janeiro 2026

A candidata presidencial sustentou que Luís Montenegro conhece os problemas do setor mas "opta por mentir", reagindo a um estudo que revela mais portugueses doentes e barreiras no acesso aos cuidados de saúde

A candidata presidencial Catarina Martins acusou esta segunda-feira o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de optar por mentir sobre a realidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), sustentando que a sua degradação é intencional. As declarações surgiram como reação aos dados do inquérito de acesso aos cuidados de saúde da Nova School of Business and Economics, divulgados hoje, que indicam um aumento de portugueses doentes e barreiras de acesso persistentes, afastando os cidadãos do SNS.

“Luís Montenegro conhece a realidade e opta por mentir sobre a realidade, acho que é a única coisa que podemos dizer”, afirmou Catarina Martins, apoiada pelo BE nas eleições presidenciais de 18 de janeiro. A candidata questionou-se se o chefe do governo desconheceria a situação portuguesa, para depois responder com contundência: “o primeiro-ministro conhece e o primeiro-ministro tem sabotado o SNS”.

Esta acusação de sabotagem foi justificada com exemplos concretos. Catarina Martins referiu as demissões de administrações hospitalares, que considera incapazes de resolver problemas de fundo, e o plano de emergência de 100 dias do governo, que classificou como uma entrega de instituições do SNS a privados. “Durante muito tempo que estava a ser irresponsabilidade, desatenção, falta de capacidade de investimento, mas os dados são demais”, explicou, detalhando a sua hesitação inicial em usar o termo mais forte.

Os dados do estudo académico chegam um dia depois de o primeiro-ministro ter defendido que existe uma “perceção de caos” no SNS que não corresponde à realidade, argumentando que os tempos de espera nos hospitais “são os melhores dos últimos cinco anos”. Um contraste que a candidata não deixou passar. Para Catarina Martins, a atitude do governo já não pode ser vista como mera incompetência. “Eu não acho que o Governo seja feito de pessoas destituídas de razão, só posso concluir que há um plano de sabotagem do SNS”, concluiu.

A saúde tem sido um pilar central da sua campanha eleitoral, onde quase diariamente alerta para a deterioração do acesso aos cuidados. “Estas eleições presidenciais são sobre isso e os candidatos que não tenham coragem de dizer o que está a acontecer não vão ter coragem, enquanto presidente da República, de lutar pelo acesso à saúde e é por isso que eu sou candidata”, considerou, elevando o tema a uma questão decisiva para o escrutínio.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Estudo liga consumo de vídeos curtos a menor envolvimento escolar

Duas investigadoras da Universidade de Macau concluíram que vídeos de formato curto usados nas redes sociais e vistos em “scrolling” nos telemóveis impactam negativamente o desenvolvimento cognitivo das crianças, podendo causar ansiedade social e insegurança.

Sobrecarga e falta de pessoal desgastam enfermeiros noruegueses

Mais de 18 mil enfermeiros participaram no mais recente inquérito sobre o ambiente psicossocial de trabalho, revelando que a pressão aumentou no último ano, sobretudo nos lares e nos cuidados domiciliários municipais. Metade dos gestores admitiu ter sofrido cortes de pessoal

IA prevê recuperação de doentes após operação à anca

Um modelo de inteligência artificial desenvolvido por engenheiros alemães consegue antecipar, com base na análise da marcha, o grau de recuperação de doentes submetidos a uma artroplastia da anca. A ferramenta, testada em mais de uma centena de pacientes, permite agrupar padrões de movimento e adaptar a reabilitação. A investigação, do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT) e da Universidade de Frankfurt, foi publicada na Arthritis Research & Therapy

Diacereína reemerge como potencial modificador da artrite reumatoide

Uma revisão de estudos clínicos e pré-clínicos publicada na Acta Materia Medica reacende o interesse na diacereína, um derivado antraquinónico, para o tratamento da artrite reumatoide. O fármaco, conhecido pelas propriedades anti-inflamatórias e condroprotetoras, atua pela supressão da interleucina-1β, mediador central da inflamação sinovial e da degradação da cartilagem, diferenciando-se dos anti-inflamatórios não esteroides convencionais

Peso a mais pode ameaçar a visão dos cães, revela estudo

Uma investigação da Universidade Hebraica de Jerusalém estabelece uma ligação direta entre o excesso de peso canino e o aumento da pressão intraocular, um dos principais fatores de risco para o glaucoma, doença que pode conduzir à cegueira. Os resultados indicam que, por cada ponto ganho na escala de condição corporal, a pressão ocular sobe, em média, 1,9 mmHg

Reserva cerebral: treino cognitivo ao longo da vida atrasa efeitos do Alzheimer

Uma equipa do Instituto de Neurociências da Universidade de Barcelona (UBneuro) descobriu que a estimulação cognitiva precoce e sustentada ajuda a preservar a conectividade cerebral e a memória na doença de Alzheimer, mesmo em fases avançadas da patologia. Publicado na revista iScience, o estudo, realizado com modelos animais, revela ainda que os machos respondem melhor do que as fêmeas à intervenção cognitiva para atrasar o aparecimento da doença

Robô guiado por humanos para tratar cancro sem cirurgia radical

Homens com cancro da próstata enfrentam muitas vezes um dilema: ou a remoção completa do órgão, com risco de incontinência e impotência, ou a vigilância apreensiva. Um projeto europeu testa uma terceira via com recurso à robótica e inteligência artificial para destruir apenas o tumor

Metade dos pesticidas usados na América Latina é proibida na Europa

Um estudo publicado esta semana revela que 48,9% dos ingredientes ativos de pesticidas autorizados nas principais culturas agrícolas de oito países da América Latina são banidos ou não aprovados na União Europeia, devido a riscos para a saúde e ambiente. Costa Rica, México e Brasil lideram o ranking de substâncias permitidas que são vetadas no bloco europeu. Investigadoras associam a exposição crónica a tumores mais agressivos e à contaminação do leite materno

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights