Estudo aponta 1,2 milhões de moçambicanos em insegurança alimentar

14 de Janeiro 2026

Cerca de 1,2 milhões de moçambicanos enfrentam situação de Insegurança Alimentar Aguda, no período pós-colheitas, necessitando de “intervenção urgente” para “reduzir o défice no consumo alimentar” e proteger os meios de subsistência.

Em causa está a avaliação de Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), que envolve as autoridades moçambicanas e parceiros nacionais e internacionais, como agências das Nações Unidas, o qual analisou a situação pós-colheitas de 2025 em distritos considerados entre os mais produtivos.

Trata-se de uma cobertura de 29% do país e o estudo indica que no período de setembro de 2025 a março de 2026, “cerca de 1,2 milhões de pessoas estão em Insegurança Alimentar Aguda”, de 47 distritos, sobretudo a norte, necessitando “de intervenção urgente para reduzir o défice no consumo alimentar e proteger os seus meios de subsistência”.

Destes, 125.701 pessoas estão em situação de Emergência (Fase 4 da IPC) e os restantes 1,07 milhões em situação de Crise (Fase 3 de IPC). Por outro lado, refere o estudo, há ainda 2,58 milhões de moçambicanos classificados em situação de Stresse Alimentar (Fase 2 da IPC).

A Fase 5, mais grave, deste indicador refere-se a Pessoas em Situação de Catástrofe, não sendo classificado neste estudo em qualquer distrito analisado em Moçambique.

Para o período projetado de abril a setembro de 2026, o estudo aponta que o número de pessoas, nos distritos analisados, que necessitam de intervenção urgente “poderá reduzir para cerca de 529 mil”, envolvendo a Fase 3 do IPC.

“Esta melhoria, deve-se às perspetivas de precipitação média a acima de média que poderá permitir maior disponibilidade de alimentos nos agregados familiares e redução dos preços dos alimentos nos mercados”, reconhece o estudo.

Na avaliação IPC pós-colheitas de 2024, que abrangeu 47 distritos, diferentes dos analisados em 2025, cerca de 1,49 milhões de pessoas foram identificados em situação de Insegurança Alimentar Aguda, a necessitarem de intervenção urgente.

“Esta situação, foi a consequência do esgotamento das reservas alimentares, e do impacto da tensão político-social que se registou no país no período pós-eleições gerais de 09 de outubro, principalmente nos corredores logísticos, o que afetou as trocas comerciais”, conclui o mesmo estudo.

lusa/HN

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