Gripe aviária alastra na UE: novos focos em Portugal acionam revisão de zonas de restrição

14 de Janeiro 2026

Bruxelas reforça medidas de contenção da gripe das aves após deteção de 60 novos focos em vários Estados-membros, incluindo Portugal, onde a doença afetou explorações no distrito de Santarém

A Comissão Europeia procedeu esta quarta-feira a um reajuste das medidas de combate à gripe das aves, uma resposta direta à notificação de 60 novos focos da doença em explorações de vários países. Portugal surge na lista, com casos confirmados em estabelecimentos dos concelhos de Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém.

A atualização, formalizada através da Decisão de Execução 2026/107 publicada hoje no Jornal Oficial da União Europeia, modifica os perímetros de proteção e vigilância previamente estabelecidos. O documento, especifica que as autoridades portuguesas comunicaram os surtos em locais onde eram mantidas aves de capoeira ou em cativeiro.

Para além de Portugal, a lista de países que reportaram novos incidentes à Comissão inclui a Bélgica, a Bulgária, a Dinamarca, a Alemanha, Espanha, França, a Itália, a Hungria, os Países Baixos, a Polónia, a República Checa e a Suécia. Um padrão geográfico amplo, portanto, que mantém a doença numa presença constante no espaço comunitário, embora com intensidade variável.

Bruxelas assinala que os Estados-membros em causa já implementaram as ações consideradas necessárias no terreno para conter a propagação do vírus de alta patogenicidade. Essas ações passam, de forma standard, pelo estabelecimento das referidas zonas de proteção e vigilância à volta dos focos identificados. A avaliação do executivo comunitário é a de que os limites destas zonas foram traçados a uma distância considerada suficiente das explorações onde a infeção foi confirmada.

A gripe das aves de alta patogenicidade (GAAP) continua a representar um desafio sanitário e económico considerável. A doença, de natureza viral, pode provocar perdas severas nos efetivos avícolas, com o consequente abalo na rentabilidade do setor. As suas implicações comerciais são igualmente pesadas, perturbando os fluxos dentro do mercado interno e complicando as exportações para mercados externos à UE.

Há um fator de propagação que escapa, em grande medida, ao controlo humano direto: as aves migratórias. Estas podem ser infetadas e tornar-se veículos de disseminação do vírus ao longo das suas rotas, sobretudo durante os períodos de migração outonal e primaveril. É uma variável que complica qualquer estratégia de erradicação definitiva, impondo uma vigilância epidemiológica constante e uma capacidade de reação rápida por parte das autoridades veterinárias nacionais. A decisão de hoje enquadra-se precisamente nesse esforço de adaptação contínua às dinâmicas da doença.

NR/HN/Lusa

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